O governo federal tem um programa denominado Minha Casa, Minha Vida. Oferece subsídios às famílias de baixa renda para que realizem o sonho de ter a casa própria. Inspirado no slogan do programa sugiro o lançamento do programa minhas contas, minha vida! Brincadeira à parte, o certo é que o país está observando, na média, melhoria nas condições financeiras das famílias, mas há pouco investimento em educação financeira.
As famílias brasileiras em sua maioria não se deram conta dos juros do cheque especial. Não calculam os juros no crediário, analisando somente se a prestação se encaixa no orçamento. Rolam dívidas no cartão de crédito como se os juros não atingissem os 12% ao mês. Querem um automóvel, compram a prazo e analisam somente a prestação do mesmo, sem considerar IPVA, manutenção, combustível, seguro, entre outros.
Compram, com méritos, uma casa nova, maior, mas se esquecem de analisar o impacto financeiro em manter esta casa. Aumentam gastos com material de limpeza, conservação e manutenção, entre outros, sem ter recursos para tanto. No lazer erram a mão. Procuram as agências de viagem em cima da hora e acabam pagando um preço mais elevado. Poucos calculam quanto irão gastar por dia no destino da viagem de lazer. Conclusão: prazer na viagem, dor de cabeça o resto do ano.
Sabem que todos os anos no primeiro trimestre as contas se acumulam, pois vem o IPVA, IPTU, material escolar, matrícula escola, entre outros gastos, mas poucos guardam recursos para este momento. Acabam iniciando com dívidas. A orientação é que sempre fazer um esforço para guardar recursos, gastando menos do que ganham, mas por falta de planejamento, invertem a equação e com isso vivem no limite do ponto de vista financeiro.
Precisam reunir a família, explicar a real situação financeira, compartilhar decisões, mas o que se vê são comportamentos individuais, sem a mínima preocupação em envolver aqueles que podem ajudar na gestão financeira da casa. Poderia continuar elencando uma série de outros comportamentos que normalmente remetem ao endividamento, mas a ideia com o slogan aqui colocado é demonstrar a real dimensão que as questões financeiras vêm tomando no seio das famílias. Tanto é verdade que já está no topo das separações conjugais os problemas financeiros. Com a proximidade do final de ano, com reflexões sobre o que podemos esperar para o próximo ano, é chegado o momento de atitudes mais firmes.
James Hunter em "O Monge e o Executivo" coloca com simplicidade qual deve ser o nosso indicativo: "Se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados. Faça diferente e colha diferente". Se não está satisfeito com as dívidas, da forma improvisada com que conduz o orçamento familiar, se repetir este comportamento o ano que vem, irá continuar insatisfeito. Mude de atitude e colha resultados diferentes. Vamos pleitear o programa minhas contas, minha vida? Aguardo adesões.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC