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Apiece comemora 25 anos de dedicação a crianças e idosos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

“Ela”. É com esse pronome de tratamento comumente usado a pessoas que Catarina Carvalho se refere à Associação de Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece). E exatamente como é a trajetória de uma pessoa, a instituição, que completa 25 anos hoje, cresceu e representa um marco na questão dos deficientes mentais de Bauru. Mas, para chegar até aqui, foi preciso muita luta.

Catarina Carvalho é a sócia-fundadora da associação. “Ela é minha filha caçula”. E a “caçula” veio por conta de outra filha. Catarina tem uma “criança” com problemas neurológicos, a Catinha, e teve que encarar essa realidade. “Ela surgiu da necessidade de atender crianças com deficiência mental, que eu prefiro chamar de intelectual”.

Foi assim que pais, amigos e responsáveis por crianças com deficiência intelectual se reuniram e decidiram montar uma organização não governamental para a causa. No começo, cerca de dez crianças ficavam em uma casa doada por um dos voluntários. Era uma espécie de creche especial. “Os pais faziam um esquema de rodízio e tomavam conta dessas crianças”.

E o trabalho começou a crescer. Em algum tempo, o preconceito foi sendo vencido - mas não extinto - e a demanda aumentava.

“Muitas famílias tinham crianças com deficiência e não tiravam elas de casa. Queríamos dar a elas exatamente o oposto: socialização e identidade. Minha luta era para ser conhecida como a ‘Catarina, mãe da Catinha’, e não que ela fosse chamada de ‘Catinha, filha da Catarina’”.

Na fala de Catarina, você logo se confunde em saber quando ela fala de sua filha, que tem 32 anos hoje, ou da Apiece. Afinal, as duas histórias se misturam: uma motivou a outra e a outra instituiu uma luta que somente começava em 17 de novembro de 1987, quando foi firmando o documento oficializando a existência da associação.

“Tudo que conquistamos foi com muita luta. Sempre nossas vitórias foram obtidas guerreando bastante. Não tenho vergonha de dizer que é como pedir esmola. Temos que pedir tudo para garantir o serviço”, relembra a sócia-fundadora.

A instituição se mantém com verbas específicas do governo, doações e, principalmente, com a renda arrecadada nos vários eventos que realizam.


Para ser feliz

Em 25 anos, a associação cresceu e muito. A Apiece teve vários endereços até a prefeitura ceder, em 1990,o terreno que abriga sua atual sede.

O que era uma espécie de pequena creche se tornou uma escola de educação especial, alfabetização e ensino fundamental com equipe multidisciplinar de 20 funcionários - professores especializados, de educação física, de artes, terapeuta ocupacional, psicóloga, pedagogo, assistente social, e pessoal de apoio - e cerca de 50 voluntários.

Assim, as dez crianças do começo se multiplicaram. Hoje, a Apiece atende 89 pessoas, incluindo também idosos com deficiência intelectual.

Além da parte de educação, há oficinas de artesanato e culinária, exercícios físicos, festividades, passeios, três refeições diárias, entre outros. Mesmo no período das férias, há o acompanhamento dos alunos.

Todos os serviços, porém, resumem-se em um único objetivo: a inclusão. “Queremos a inclusão social, no mercado de trabalho, digital e, principalmente, no respeito. Aqui, nada mais é uma escola para essas crianças serem felizes”, resume, emocionada, Catarina Carvalho.


Serviço

A Apiece fica na rua Zéphilo Grizoni, 7-87, localizada no Jardim Petrópolis, em Bauru. Os telefones para contato são o (14) 3222-0368 e o 3212-4662. A associação também pode ser contatado pelo apiece@uol.com.br.

 

Quando for ‘trintona’, entidade projeta três novas conquistas para sua história

 

A Apiece reconhece que cresceu e evoluiu muito em 25 anos. Porém, a associação já projeta os próximos passos para se tornar uma “trintona” de ainda mais sucesso. Na verdade, há três prioridades atualmente.

Uma das principais é viabilizar a construção de uma casa abrigo. “Seria um local para que esses alunos pudessem ficar caso perdessem a família. É algo que estamos batalhando e que ajudaria muito a causa”, aponta a sócia-fundadora da associação, Catarina Carvalho.

Outra necessidade mais que urgente é o convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Carvalho explica que ainda não existe esse convênio. “Isso nos atrapalha muito na questão da saúde. Mas estamos lutando e pedindo. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não aguenta mais nós correndo atrás dele”, brinca.

A presidente atual da Apiece, Mari Ferraz, coloca outra necessidade mais pontual: cobrir a quadra do local. De acordo com ela, é preciso resolver essa necessidade porque os alunos dificilmente usam o espaço por conta da exposição a intempéries do tempo, como chuvas e sol forte.

Porém, hoje, esta última demanda pode ser solucionada. A diretoria da Apiece conversará pela manhã com proprietários de uma construtora da cidade sobre a cobertura da quadra. Quem sabe não é o presente de aniversário pelos 25 anos?

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