A noite mais violenta do ano em Bauru. Por conta da criminalidade, o começo do feriado prolongado já carrega esta triste marca. Foram dois homicídios em um intervalo de menos de dez horas, não três como divulgado pelo JC na edição de hoje. Todas as vítimas eram homens e foram mortos por armas brancas. É a maior série de homicídios em uma noite desde agosto de 2010. Além dos assassinatos, a cidade registrou outra tragédia: um homem foi atropelado pelo próprio caminhão (leia mais abaixo).
O primeiro homicídio ocorreu por volta das 20h20 de anteontem, na Vila Santista - região do Jardim Ferraz. Conforme divulgado ontem pelo JC, o pedreiro José Augusto Aparecido Generoso, 24 anos, foi encontrado na quadra 2 da rua Felix Sanches Gomes. Ele teria sido esfaqueado no pescoço na travessa João Rodrigues Ruiz, a poucos metros de onde foi localizado.
O segundo homicídio teria ocorrido por volta das 6h30, no Núcleo Nove de Julho (região do Parque Santa Edwirges).A polícia recebeu denúncia anônima de que havia um homem caído na quadra 2 da Alameda Dante. No local, encontraram o pintor Jefferson Silva Dias, 43 anos, que foi reconhecido pelo seu pai.
A vítima tinha quatro perfurações no peito e ainda outras duas nas mãos, provavelmente causadas na tentativa de se defender do ataque.
Na edição de hoje, o JC divulgou que o um terceiro caso que teria ocorrido por volta das 6h30, no Jardim Europa. Entretanto, o JC apurou junto ao Hospital de Base que o pedreiro Edson Benedito Mariano, 50 anos, encontrado com um corte no abdome, não morreu e encontra-se internado na unidade em estado regular após cirurgia.
Com esses três homicídios em menos de dez horas, Bauru teve a noite mais violenta desde 2010. Naquela ocasião, três pessoas também foram assassinadas durante a madrugada do dia 2 de agosto. Entre as vítimas, estavam um ex-presidiário morto com 14 tiros, um detento beneficiado pela “saidinha” e uma mulher grávida de 7 meses.
Isolados
Para a Polícia Civil, os homicídios ocorridos agora não possuem qualquer ligação entre si. “As investigações estão no início, porém, parece que foram realmente casos isolados. É uma infeliz coincidência que tenham ocorrido todos nessa mesma noite”, aponta Cledson do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Entretanto, o delegado aponta que se trata de uma noite violenta atípica. “Mas, é importante destacar que não há qualquer relação com a onda de violência que vem ocorrendo na Capital”, pondera.
A mesma opinião tem o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho. Ele ainda faz a ressalva de que é preciso se atentar ainda mais ao restante do feriado prolongado.
“Acende um alerta. Pelo que nosso setor de inteligência apurou, os casos parecem ser isolados, porém, as pessoas precisam ficar atentas nos locais em que frequentam. Às vezes, os bandidos aproveitam esse tempo de feriado para acertar contas”, afirma.
Na onda de crimes da madrugada violenta de 2010, a polícia também afirmou, em um primeiro momento, que os casos não tinham qualquer ligação. Porém, as investigações apontaram que as mortes do ex-presidiário assassinado com 14 tiros e o detento beneficiado pela saída temporária tinham o mesmo motivo. Na ocasião, todos os casos foram esclarecidos.
Armas brancas
Nos três homicídios da noite mais violenta de 2012, um ponto em comum chamou a atenção. Todas as mortes foram causadas por armas brancas. O aumento da utilização desses objetos na criminalidade já havia sido alertado pelo JC em abril deste ano.
Para o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, esses três assassinatos acendem uma “luz amarela” no patrulhamento. “Isso mostra que a polícia precisa intensificar a abordagem visando retirar as armas brancas das ruas”.
E não são apenas facas e canivetes. Pela lei, considera-se este tipo de arma qualquer objeto que seja usado com essa finalidade, como um taco de bilhar ou cacos de vidro, por exemplo.
Apesar desse entendimento amplo, um dos principais problemas é a legislação é branda. O Estatuto do Desarmamento não contempla as armas brancas. Assim, quem é pego portando um desses objetos se enquadra no artigo 19 da Lei de Contravenção Penal, cuja pena é de reclusão de 15 dias a seis meses, mais multa.
Crimes podem ter sido motivados por dívida, prostituição e vingança
Os três homicídios seguidos ainda estão em fase preliminar de investigações, contudo, algumas linhas já estão sendo seguidas. De acordo com o delegado Cledson do Nascimento, o primeiro caso – a morte de José Augusto Aparecido Generoso – pode ter sido motivado por vingança.
Já no segundo homicídio – Edson Benedito Mariano -, o BO aponta que a própria vítima teria apontado a autora do ataque. Segundo o que conseguiu dizer aos policiais, seria uma prostituta moradora do bairro. Ele, entretanto, não deu mais detalhes do motivo e nem da identificação da mulher.
No último assassinato – Jefferson Silva Dias -, as investigações estão bem preliminares. O delegado explica que a única pista até agora é um cachimbo de uso de crack encontrado próximo ao corpo. “Ele seria um usuário de drogas conhecido na região”.
Com essas informações preliminares, as apurações devem partir de um possível acerto de contas derivado de dívidas do tráfico de entorpecentes. Foi requisitado exame toxicológico da vítima.