Política

Desafio: não perder independência

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

 

Ao que tudo indica a aprovação do prefeito reeleito Rodrigo Agostinho (PMDB), com 82% dos votos válidos ainda no primeiro turno, e a renovação da Câmara Municipal de Bauru – quatro vereadores não foram reeleitos e três não disputaram a reeleição – pode desequilibrar a relação Executivo-Legislativo a favor do ocupante do Palácio das Cerejeiras. 

 

O professor de história política Maximiliano Martin Vicente avalia que a Câmara será forçada a ter um alinhamento com o Executivo. Ele parte da premissa de que Rodrigo obteve uma votação expressiva graças, entre outras coisas, ao fato da população acatar suas propostas. Para Max, a Câmara terá que ser fiel ao programa e às propostas do prefeito.  

 

Para o professor de história política, é dever do vereador fiscalizar os atos do Executivo e ter independência em relação ao prefeito para poder exercer sua função. “A questão é ver até onde eles serão e terão independência nas suas atuações. De fato o resultado é bastante favorável ao prefeito o que, de início implica em ter que estabelecer como será seu relacionamento com os vereadores”, pontua. 

 

Max propõe alternativa ao jogo de bancadas de oposição versus situação com o parlamentar demarcando território claro: “Se o vereador mantiver independência e realizar um ato de fiscalização, não importa a que partido pertença, será um agente livre para duvidar, melhorar, propor alternativas. Será um representante dos seus eleitores. Sem dúvida o papel fundamental de ser crítico cabe à oposição.”

 

Alguns partidos terão que rever sua posição política segundo Max. “Tanto DEM quanto PSDB, no âmbito local, precisam discutir internamente seu futuro e centrar suas atividades enquanto opositores, portanto, fiscais em dobro para ir marcando sua posição diante do futuro”, orienta. 

 

 

 

Não deu

 

A partir de 1 de janeiro, dia da posse do prefeito e de vereadores, a Câmara passará a ter 17 parlamentares. O PSDB encolheu de três para dois vereadores e o DEM de dois para nenhum. Não obtiveram a reeleição o pastor Luiz (PTB), Gilberto dos Santos (PSDB), o Giba, José Carlos de Souza Pereira (PT), o Batata, e José Roberto Martins Segalla (DEM). Não concorreram os vereadores Marcelo Borges (PSDB), Amarildo de Oliveira (sem partido) e Chiara Ranieri, candidata a prefeito.

 

A legislatura 2013-2016 terá caras novas. Marcos Antonio de Souza (PMDB), Alexssandro Bussola (PT), Telma Regina da Cunha Gobbi (PMDB), Raul Gonçalves Paula (PV) e Fábio Manfrinato (PR) são os novatos que integram o time de parlamentares. Retornam Faria Neto (PMDB) e Lima Junior (PSDB).  Se reelegeram Moisés Rossi (PPS), Renato Purini (PMDB), Roque Ferreira (PT), Paulo Eduardo de Souza (PSB), Fabiano Mariano (PDT), Fernando Mantovani (PSDB), Natalino da Silva (PV),Carlão do Gás (PR), Luiz Carlos Bastazini (PP) e Roberval Sakai (PP).

 

 

Oposição neutralizada

 

Max ressalta que Rodrigo promoveu uma política local em que a situação econômica e a sua liderança projetaram obras e ações que deram à população uma impressão de que finalmente o poder público atuava. Ele acrescenta que temas relevantes politicamente, como o colapso no Departamento de Água e Esgoto (DAE), não foram aproveitados pelos atuais vereadores.  “As questões centrais como o DAE, por exemplo, passaram sem serem debatidas em profundidade pelos vereadores e com isso sobrou pouco espaço para as críticas ao prefeito. Num quadro de corrupção no país Bauru, aparentemente, mostrou uma alternativa e com isso as críticas não atingiram, nem de longe, o atual prefeito”, entende.

 

Em um determinado momento, alguns vereadores assumiram posturas ambíguas. Mantiveram ao microfone da tribuna da Câmara críticas à administração municipal. Porém na prática votaram muitos temas alinhados com o Palácio das Cerejeiras. O professor de história da política salienta que no Brasil ocorre uma inversão de funções. Max frisa que o Executivo legisla e o Legislativo apenas referenda. 

 

“Nesse quadro fazer parte do grupo excluído das áreas do poder é não ter nenhum benefício e, com isso, a reeleição se complica. Duas alternativas emergem: o se faz oposição de verdade ou se alinha de vez com o poder instituído. Tudo o que fugir a essa proposta soa muito mal”, finaliza Max.

 

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