Gaza - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou ao Cairo ontem para apoiar o esforço do Egito em mediar um cessar-fogo entre israelenses e palestinos. Israel lançou na última quarta-feira uma operação batizada de Pilar de Defesa que visa pôr fim aos ataques de foguetes palestinos da faixa de Gaza contra seu território. A ofensiva deixou já mais de cem mortos e ameaça evoluir para uma invasão por terra.
Mortos
De acordo com as autoridades médicas palestinas, a morte de mais dois homens num novo bombardeio aéreo fez passar de cem o total de mortes em Gaza desde o lançamento da operação, há seis dias. Entre as vítimas estariam 24 crianças. Os palestinos dizem que a metade é de civis sem envolvimento com a luta. As forças israelenses, porém, dizem que os civis são um terço. Do lado israelense, três morreram, na última quinta.
Família
Os militares israelenses disseram ontem que ainda não têm uma explicação sobre os motivos pelos quais um de seus bombardeiros aéreos, teve como alvo uma casa de três andares na qual morreram 11 palestinos, sendo nove da mesma família.
Depois de uma madrugada de relativa calma, militantes da Faixa de Gaza dispararam 12 foguetes contra o sul de Israel, sem causar vítimas.
Embora 84% dos israelenses tenham apoiado a atual ofensiva a Gaza, de acordo com uma pesquisa do jornal israelense “Haaretz”, só 30% queriam uma invasão. Além disso, 19% gostariam que o governo trabalhasse para garantir uma trégua logo.
Paz
O Egito - cujo presidente recém-eleito Mohamed Mursi tem raízes na Irmandade Muçulmana, considerada mentora do Hamas - atua como mediador, no maior teste ao tratado de paz com Israel, estabelecido em 1979, no Cairo, desde a queda do ditador Hosni Mubarak. Os negociadores egípcios podem estar próximos de alcançar um acordo entre Israel e os palestinos para parar com o confronto, disse o primeiro-ministro de Mursi, Hisham Kandil. “Acho que estamos perto, mas a natureza desse tipo de negociação indica que é muito difícil de prever”.
Pressão mundial
O governo israelense e o movimento radical islâmico Hamas são pressionados hoje por diversos países a aceitarem um cessar-fogo para encerrar a ofensiva na faixa de Gaza. Em seis dias, pelo menos 90 palestinos e três israelenses morreram.
Ontem, o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que Israel tem direito de se defender, mas pediu moderação nas respostas aos ataques contra os palestinos.
A questão da força também foi lembrada pela China. A porta-voz da Chancelaria, Hua Chunying, disse que Pequim está “extremamente preocupada” com o uso de armamento em larga escala pelos israelenses.
Hamas faz exigências para trégua
Cairo - O líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse ontem que Israel deve interromper o que ele chamou de ataques à Faixa de Gaza e suspender o bloqueio ao território palestino em troca pela trégua que, segundo ele, o governo israelense deseja.
“Não somos contra a calma (a trégua)... mas existem demandas específicas... em resumo que a brutalidade e a agressão israelense parem... e que o cerco a Gaza seja suspenso”, disse ele em entrevista coletiva no Cairo.
“O Egito foi solicitado pelos norte-americanos e europeus, e por Israel diretamente, a trabalhar pela calma. Eles (Israel) atacaram e eles pedem a calma porque seus cálculos falharam”, disse. Israel nega que seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tenham feito um pedido de trégua.
Israel ataca prédio da imprensa
Gaza - O Exército de Israel bombardeou ontem um prédio de 14 andares que abriga parte da imprensa árabe na Cidade de Gaza. É o segundo ataque israelense ao edifício em menos de 24 horas, em meio ao sexto dia de ofensiva na região. O prédio foi atingido por três mísseis disparados de Israel que destruíram o segundo andar da construção. Com o ataque, antenas e equipamentos de transmissão instalados no topo do prédio também foram danificados. Na ação, uma pessoa morreu e outras seis ficaram feridas. Os militares israelenses dizem que o morto era Ramez Hamez, membro da Jihad Islâmica.