Esportes

Noroeste: Fazendo as contas

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

O número é R$ 150 mil. Este é o montante considerado necessário pelo presidente interino do Noroeste, Toninho Gimenez, para o clube ter uma equipe competitiva, capaz de brigar pelo acesso à primeira divisão do Campeonato Paulista na próxima temporada. Alcançar este valor torna-se menos complicado desde que o clube consiga seu objetivo e acerte a extensão do patrocínio master da Kalunga, que termina no mês que vem e responde por cerca de R$ 70 mil mensais.

Contando o aporte da empresa da família Garcia, o Norusca tem hoje uma receita de aproximadamente R$ 135 mil (veja em quadro nesta página). Porém, por contrato, a Kalunga não tem que colocar mais nenhum centavo na conta alvirrubra, uma vez que já adiantou todos os pagamentos acertados até o final do vínculo com o clube bauruense. Ou seja, com a Kalunga, faltam R$ 15 mil para o “orçamento ideal”. Sem a empresa, são R$ 85 mil para se buscar.

E a permanência do patrocínio da Kalunga parece mais provável. As perspectivas tornaram-se mais positivas porque uma quarta chapa para as eleições presidenciais do clube, marcadas para o dia 4 dezembro, vem sendo costurada nos bastidores e ganha força nas últimas semanas. O candidato à presidência de situação e que contaria com o apoio do Conselho Deliberativo para assumir o clube é o empresário Toninho Alencar, o Toninho da Mariflex, e sua eleição seria fundamental para que a família Garcia mantivesse o apoio ao Noroeste e continuasse com a cota master de patrocínio.

Uma renovação da Kalunga estaria intimamente ligada à eleição de Alencar à presidência. Gimenez deve ser reunir com Paulo Garcia no domingo - o Noroeste faz a final da Copa Paulista contra o Audax, no Estádio Nicolau Alayon, em São Paulo, possível local do encontro - para discutir o prolongamento do patrocínio da empresa ao Alvirrubro. Até agora, o empresário Álvaro Pedroso, o advogado Elias Brandão e o comerciante Bruno Lopes são os candidatos à presidência do clube.

Alencar confirma a intenção de se candidatar e está se inteirando da situação financeira do clube. O empresário condiciona sua candidatura ao que vai “encontrar” no clube. “Se estiver tudo como eu imagino que esteja, sim. Quero saber como andam as finanças do Noroeste, qual a situação, como está a dívida para poder assumir”, declara. “Ele vai se inteirar direito daquilo que ele pode assumir”, reforça Gimenez. Segundo o presidente interino, as despesas do clube, hoje, giram em torno de R$ 260 mil.

Alencar já acertou patrocínio de sua empresa ao clube de R$ 20 mil mensais, mas descarta, mesmo assumindo a presidência, arcar com a cota master. “Se a Kalunga não ficar, vamos tentar achar alguém. Mas a gente quer que a Kalunga fique pelo menos mais um ano”, ressalta. O possível candidato também salienta que não tem atletas para colocar no Noroeste e é contrário a ter um “time de empresário” representando as cores alvirrubras. “Não tenho jogadores, não sou empresário de jogador. E também não concordo muito com este negócio de empresário botar jogador no clube e, depois, levar embora sem muito fim lucrativo para o clube”, define.

De acordo com Alencar, experiências negativas são o motivo de sua convicção. “Tem alguns clubes que patrocinei onde empresários fizeram isso (levar jogadores) e estão afundados. Se eu for o presidente, quero administrar com transparência, dignidade e honestidade, que é tudo que sei fazer na vida”, frisa.

 

 

Processo superado

Alencar se reaproxima do Noroeste após episódio desgastante em 2010, quando a Mariflex investiu na pintura do Estádio Alfredo de Castilho em troca de ter sua marca estampada no local. No entanto, o acordo terminou em processo por quebra de contrato, pois o departamento de marketing não respeitou o acerto. O empresário destaca que o caso está superado. “Foram R$ 51 mil (investidos). Processei o clube, recebi e o Noroeste não me deve nada e nem eu devo ao Noroeste. Já é passado”, conclui.

 

Rastro acerta patrocínio

O Noroeste fechou patrocínio com a casa noturna Rastro do Cowboy com duração até o final da Série A-2 do ano que vem. Pelo contrato, o clube receberá R$ 10 mil mensais e terá estampado em seu uniforme a imagem da dupla sertaneja Oliver e Léo já a partir da final deste domingo.

“É uma dupla nossa de São Bernardo do Campo, Oliver e Léo, vamos investir e colocar a logomarca na camisa do Noroeste. O contrato é para o Campeonato Paulista”, comenta Emílio Brumati, proprietário do Rasto do Cowboy. Além do Rastro, o Norusca também está em negociação com outra empresa da cidade para fechar um patrocínio de R$ 20 mil, o que deverá ser definido em breve.


Receita mensal atual do Noroeste

Kalunga*   R$ 70 mil

Mariflex   R$ 20 mil

Placar e cadeiras  R$ 15 mil

Rastro do Cowboy  R$ 10 mil

Outras empresas  R$ 20 mil

Total com a Kalunga  R$ 135 mil

Total sem a Kalunga  R$ 65 mil

Patrocínio em negociação R$ 20 mil

* Pagamentos já adiantados até dezembro, mês final do atual contrato

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