Tribuna do Leitor

Menor, um problema nacional


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Gostaria de falar de um problema que é muito pouco compreendido. Refiro-me aos menores abandonados, carentes de afeto, amor, solidariedade, formação e oportunidade, e que vivem à margem de nossa sociedade tida como "cristã". Pela pesquisa que fizemos, e continuamos fazendo, começo a entender melhor a atitude desses preferidos pelo senhor da história ? não queremos com isso dizer que são uns anjos, pois fomos assaltados por duas vezes, uma aqui em Bauru e outra em plena Praça da Sé, em São Paulo. Os assaltos e agressões cometidos por eles são maneiras de sobrevivência, um jeito infeliz de gritar que a nação os deixou na desgraça, que são "fruto do mal que floriu num país que jamais repartiu".

Sei que o desconhecido das causas nos faz pensar de maneira moralista, condenando esses nossos irmãos. Outras vezes, agimos assim por comodismo, medo ou egoísmo, pois para modificar a estrutura social em que vivemos, temos que mudar a prática de forma radical e, para tanto, podemos utilizar o método: ver, julgar e agir. Através do ver, estudamos a realidade; do julgar, discernimos pelo espírito de Deus e pela oração, e do agir, vamos à luta, ao trabalho, sem medo de nada, pois Jesus prometeu estar conosco até o fim.

Como cristão, fico envergonhado quando ouço que milhões de crianças morrem por dia, por falta de alimentação e que outras tantas são condenadas irreversivelmente a uma vida com perturbações mentais, por carência de proteínas, resultando em atitudes agressivas e até violentas. Fico pensando também por que é que algumas pessoas que sofrem a violência da miséria nos respondem com assaltos, agressões e quebra-quebra. Enfim, os menores abandonados vivem na violência, praticam a violência, mas, no fundo, abominam esta prática. Na verdade, gostariam de viver como a família de Nazaré, na igualdade, no amor e na solidariedade. Pensem nisso, meus amigos leitores!...

João Álvares - da Associação Paulista de Imprensa

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