Regional

Vereador é indiciado por corrupção

Bruna Dias com Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - A desafetação (deixar de ser de domínio público) de uma rua que passa entre o espaço físico de uma transportadora de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) foi parar na polícia. Tudo isso porque o presidente da Câmara da cidade, Marcos Oliveira dos Santos (PP), foi indiciado por corrupção passiva depois de ter pedido R$ 5 mil ao dono da empresa para que o projeto de lei fosse aprovado pelo Legislativo.

A história veio a público quando o áudio da conversa telefônica entre Santos e o dono da empresa “vazou” na internet, alguns dias antes das eleições deste ano. O candidato a prefeito, padre Mário Donizeti Floriano Teixeira, viu e ouviu a postagem e, indignado, escreveu uma carta ao jornal de Barra Bonita. O delegado da cidade, Antônio Ângelo Meneghel, instaurou inquérito, apurou o fato e encaminhou o documento à Delegacia Seccional de Jaú.

“É um final de rua que tinha imóvel dos dois lados e a desafetação dessa área seria benéfica para a expansão da transportadora. Em julho deste ano, o Marcos esteve nessa empresa e, durante uma conversa que foi gravada com o empresário, ele solicitou e fez alusão de que seria votado esse projeto em favor da empresa e que uma votação dessa não é só uma votação política, que ele precisava de um ‘retorno’, ‘ajuda’, dizendo claramente que seria uma ajuda financeira”, explicou o delegado assistente da Delegacia Seccional de Polícia de Jaú.

 

O pedido

O áudio aponta que o indiciado pediu R$ 5 mil e que teria dito ainda que falaria em nome de quatro vereadores. O empresário disse que não poderia resolver este “assunto” sozinho e procurou o presidente do Legislativo em seguida. “No dia seguinte, ele mesmo (Marcos) procurou a empresa, não esperou a manifestação do empresário, o que causou estranheza. O empresário não deu o dinheiro, procurou o prefeito e contou a situação”, acrescentou.

O prefeito José Carlos de Mello Teixeira, o “Nenê”, teria pedido que o dono da transportadora denunciasse o fato à polícia e até contou a situação a outros vereadores. Meses depois, o projeto de autoria do Executivo foi votado em duas sessões e aprovado pelo colegiado da Câmara. Antes das eleições o caso ficou público.

“Na semana passada eu estive em Barra Bonita interrogando e indiciando o vereador. Ele alega que realmente esteve na empresa mas para divulgar serviços de enfermagem de uma empresa particular dele. No meio disso teria surgido o assunto da desafetação, ele nega que tenha usado o nome de outros vereadores, embora isso esteja gravado”, finalizou o delegado.

O presidente da Câmara, Marcos Oliveira dos Santos, foi indiciado por corrupção passiva, crime que prevê pena de 2 a 12 anos de reclusão. Como é réu primário, ele poderá responder em liberdade.

 

“Doação de campanha”

O presidente da Câmara de Barra Bonita, Marcos Oliveira dos Santos (PP), alegou ontem à tarde ao JC que pediu doação para a campanha e não para aprovar o projeto de lei que autorizou unir uma rua à área da transportadora. “Jamais pedi vantagem pessoal, pedi ajuda para a campanha isso a um ano antes da eleição. Sou vítima de uma perseguição política”, alegou o parlamentar acusado.

Ele confirma que teve o encontro com o dono da empresa no ano passado. A conversa teria durado 40 minutos, gravada possivelmente pelo empresário.

O trecho da gravação que foi divulgado na véspera da eleição na internet tem 6 minutos e foi a principal prova para o indiciamento do parlamentar.

Laudo da perícia da Polícia Científica confirma a veracidade do áudio. “Estou tranquilo em me defender mesmo se o promotor acatar a denúncia. O indiciamento é apenas uma fase do inquérito para colher provas. No final do processo serei inocentado, nada disso aconteceu. Jamais houve vantagem pessoal ou qualquer tipo de ajuda”, declara.

O vereador afirma que trechos divulgados na internet teriam sido editados. “É uma conversa pacífica em que o empresário fala da empresa, eu do serviço que presto na cidade. Ele fala de filiais dele e que são todos gerentes de Barra Bonita. Na conversa há participação de outras pessoas”, diz.

O vereador reclama do desgaste político e moral com a repercussão do caso. “A minha mulher está doente por causa disso. O prejuízo foi grande na minha campanha, esperava ser o mais votado da cidade na eleição”.

Santos não está movendo nenhuma ação criminal contra quem vazou o áudio.

 

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