Jogos Abertos 2012

Atletismo: ?Me senti em casa?


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Amandla Rocha/JAI 2012

Fabiana saltou 3 metros e 90 centímetros, contra 3,80m da 2ªcolocada, de São Bernardo do Campo

O recém-inaugurado Centro de Atletismo Alcides dos Santos Gonçalves, no “Milagrão”, foi palco da última disputa oficial na temporada 2012 da campeã mundial no salto com vara, Fabiana Murer. Disputando os Jogos Abertos do Interior por São Caetano do Sul, a atleta garantiu a medalha de ouro com certa facilidade, saltando 3 metros e 90 centímetros, contra 3,80m da segunda colocada, Joana Ribeiro Costa, de São Bernardo do Campo. A medalha de bronze também ficou com São Caetano, nos 3,50m alcançados por Carla Rosa da Silva.

“Como só retomei os treinos no mês passado, saltei com dez passadas (na corrida até o salto), que é praticamente a metade da minha marca”, diz Fabiana que, depois da decepção nos Jogos olímpicos de Londres, voltou de férias em outubro e só em janeiro terá sua primeira competição em ginásio coberto (indoor), em Reno, nos Estados Unidos.

A marca conquistada no “Milagrão” é bem menor do que os 4,85m que Murer fez em 2010, em competições ao ar livre (outdoor), e os 4,82m em pista coberta, quando se transformou na 4º melhor de todos os tempos no salto com vara feminino - somente Yelena Isinbayeva, Jennifer Stuczynski e Svetlana Feofanova haviam obtido marcas melhores em toda a história.

“Nessas disputas eu acabo fazendo 18 passadas, mas estamos ainda numa fase de treinamentos que chamamos de treinamento de base, que trabalha a corrida, as passadas, essas coisas. E como a corrida aqui é bem curta (espaço reduzido), acho que foi muito bom o resultado”. Apesar das condições diferentes em relação às outras disputas, que vão desde o local de provas, da importância da competição, a concorrência e até mesmo o próprio ritmo de treinos, Murer fez questão de elogiar a novíssima pista de atletismo bauruense, construída no Estádio Antonio Milagre Filho, no Jardim Prudência.

“Fiz questão de participar dos Jogos. Como eu participo de poucas competições no Brasil, disputar os Jogos Abertos é a oportunidade para competir no País. E a pista aqui em Bauru ficou super legal. O atletismo precisa de lugares como este. Esse clima de Jogos Abertos é muito bom, me faz muito bem, precisava sentir esse clima. Me senti em casa”.


Carisma

Muito atenciosa, seja com o público presente, seja com os jornalistas de plantão, Murer tirou fotos, deu autógrafos e entrevistas, antes e depois da disputa, com o mesmo carisma. Representando a nata do esporte brasileiro, destacou a receptividade de Bauru. “Não conhecia a cidade mas estou muito contente aqui. Fui muito bem recebida e achei a cidade muito bonita. Está todo mundo de parabéns”.


Ela queria o recorde...foi por pouco

Apesar do objetivo em Bauru não ser bater recordes pessoais e a prova não ter o mesmo alto nível que outras tantas que disputou, Murer não se contentou apenas com o ouro nos Abertos. Quando a adversária Joana Ribeiro derrubou o sarrafo em sua última tentativa de saltar os 3,90m superados por ela, a maior atleta brasileira da modalidade comemorou discretamente a conquista, se dirigiu ao técnico  Elson Miranda, e foi até o mesário. Após poucas palavras e a determinação do fiscal da prova, o sarrafo foi elevado até 4,21m. E Fabiana tentou superar a altura mais três vezes. Não conseguiu.

O público que acompanhava a disputa e até mesmo os jornalistas de prontidão não entenderam ao certo o que se passava ali. Ao final da prova, Murer explicou. “Na verdade eu já tinha conquistado o ouro. Fui saber com o mesário qual era o recorde da prova para tentar superar. Me falaram que era 4,20m e tentei bater. Quase consegui, na última tentativa faltou pouco. Mas está ótimo, pelo período de treinos que eu tenho, desde outubro, está de bom tamanho”, explica.


Sumiço das varas e o vexame em Londres

E se os Jogos Abertos foram a última competição oficial da temporada, a disputa em Bauru também marcou a primeira da atleta após o vexame nos Jogos Olímpicos de Londres. Na Inglaterra, Fabiana Murer desistiu ainda nas eliminatórias, alegando posteriormente que o vento teria atrapalhado seu desempenho.

“Eu não fui bem, não tive uma boa competição. Não conseguia correr, o vento me segurava. Já no meio da corrida, sabia que não ia conseguir abaixar a vara para a decolagem. Não tinha a velocidade necessária. As pessoas às vezes não sabem, mas essa vara pesa e você tem toda uma técnica para segurar na ponta para fazer o apoio. O vento de frente faz com que ela fique ainda mais pesada e a corrida mais difícil”, explica.

Um dos argumentos que fortalecem a tese de Fabiana Murer é que a russa Svetlana Feofanova acabou quebrando o pé na classificação, ao errar um salto. As duas são leves (57kg e 49kg, respectivamente) e, portanto, mais prejudicadas pelo vento.

Mas ontem, o vento no “Milagrão” foi mais camarada com a campeã. “Hoje (ontem), o vento está forte aqui, mas não atrapalha tanto. Lá (Londres), o vento vinha de frente e estava mais alto. Dificultava muito a corrida”.

Só que Murer viveu a expectativa de uma medalha em duas Olimpíadas seguidas. Antes, em Pequim, foi prejudicada pelo misterioso sumiço de suas varas. Sem querer polemizar ainda mais o assunto, ela apenas garante que os problemas ficaram no passado, e já mira a disputa das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. “Falta muita coisa ainda, muitas disputas a fazer. Mas vou passar esses quatro anos treinando forte e competindo. Eu sei que quero buscar resultados e não quero perder nenhuma oportunidade que pintar. Aqui (em Bauru), por exemplo, tive a oportunidade de disputar em casa. No Rio vai ser a mesma coisa, vou contar com o calor da torcida brasileira”, diz.

A próxima meta é buscar o bicampeonato mundial em Moscou, em agosto de 2013, onde fará a  temporada em pista coberta – onde o vento não pode atrapalhar.

“Quero treinar para saltar 4,85m, que é a minha melhor marca. Depois, buscar os 4,90m e, quem sabe, chegar aos 5m”, projeta.


Coletor da Emdurb participa hoje dos Jogos como convidado da Semel

O coletor da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Erasmo Carlos Rodrigues, participa hoje, como convidado, da prova de atletismo que acontece no Estádio “Milagrão”.

Erasmo é participante assíduo de competições de rua e no último domingo (18), ficou entre os dez primeiros colocados na prova de corrida do Sesc, que aconteceu na avenida Nações Unidas.

Diante de sua assiduidade aos eventos de corrida e ao bom desempenho nas competições, Erasmo foi convidado pelo Cabo Alcides, da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), para participar da corrida em pista apropriada, uma vez que o mesmo está acostumado a fazer corridas de rua.

Erasmo Carlos tem 43 anos, é coletor de lixo domiciliar da Emdurb desde 2007 e, desde então, percorre entre 25 a 30 km, de segunda a sábado, recolhendo lixo. Aos domingos, como não há o serviço de coleta, Erasmo informou que não fica parado, participa de todos os eventos de corrida que acontece na cidade e quando não há evento, acorda cedo e vai treinar sozinho.

 

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