Bairros

Minha residência, meu trabalho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Enfrentar o trânsito caótico na ida e volta do trabalho e, consequentemente, perder o precioso tempo que poderia ser gasto com a família e amigos, academia ou com um curso, e além disso ter de encarar despesas diárias com combustível e restaurante, por exemplo, são elementos que fazem parte da rotina profissional de boa parte dos trabalhadores. Mas esta não é a realidade dos empreendedores que decidem montar o próprio negócio em casa.

É comum encontrarmos nos bairros pessoas que moram e trabalham no mesmo lugar. São médicos, psicólogos, dentistas, profissionais da beleza, professores de artes, música, comerciantes, advogados, entre muitos outros profissionais que, faça chuva ou faça sol, não precisam sair de casa para desempenhar suas atividades profissionais. 

Entretanto, para que a vida pessoal não interfira na profissional e vice-versa é preciso atentar para alguns importantes fatores. Uma dessas exigências, de acordo com a psicóloga organizacional Keila Isabel Botan, é ter uma postura profissional disciplinada para que os elementos pessoais e familiares não interfiram na rotina de tarefas a serem realizadas (Confira mais dicas no infográfico da página 3).

“Outro fato que pode ocorrer é a diminuição da interação com as pessoas, isso quando comparamos o trabalho em casa com o contexto empresarial. Para compensar é interessante que o profissional faça cursos na área de atuação e em outras áreas para se aperfeiçoar e manter uma rede de contatos profissionais”, acredita Botan.

Por outro lado, segundo os empreendedores entrevistados pelo JC, o trabalho em casa aproxima as famílias já que, na maioria das vezes, de forma direta ou indireta, todos se envolvem com as atividades.

 

Experiência própria

Ao analisar atentamente as vantagens que teria por não ter de enfrentar diariamente o trânsito caótico da cidade, a psicóloga Maria Lúcia Biem tomou a decisão de construir o consultório ao lado de casa, no Jardim Panorama, há aproximadamente oito anos. Com a decisão, ela ganhou mais tempo para outras atividades, o que melhorou a sua qualidade de vida.

“Agora eu pratico mais exercícios físicos, tenho mais tranquilidade nas refeições e mais tempo para passar com a minha família, além de ter mais segurança, conforto e praticidade para atender alguma emergência e resolver problemas caseiros”, pontua.

Para a psicóloga, com os recursos tecnológicos atuais, muitos profissionais conseguem gerenciar seu trabalho na própria residência, entretanto, não se pode esquecer das diferenças individuais. “O que é vantagem para uns, pode ser desvantagem para outros”.

Ela evidencia que pessoas que não conseguem manter disciplina de horário e concentração encontrarão dificuldades se optarem pelo exercício profissional no lar. “Também há quem se sinta mais confortável quando o trabalho está distante e alegue que o fato de mudar completamente de ambiente melhora o seu desempenho e até a sua qualidade de vida”.

Dessa forma, a dica de Biem é que cada profissional perceba suas potencialidades e limitações para que façam as melhores escolhas.  


 

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