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?É o maior desafio da minha vida?

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Foto Quioshi Goto

Meira completa 24 anos de carreira na Polícia Militar

Está confirmado. Conforme o JC antecipou na edição de ontem, o coronel Benedito Roberto Meira será nomeado, amanhã, o novo comandante-geral da Polícia Militar do Estado. Meira, que ocupa atualmente o cargo de secretário-chefe da Casa Militar, atuou por 24 anos na PM de Bauru e tornou-se comandante do 4º Batalhão, em 2009.

Em conversa por telefone, enquanto cortava os cabelos em um salão de Bauru para ficar com o visual em dia antes de assumir a nova função, Meira confirmou a nomeação, revelou que a “ficha ainda não caiu” e que está diante do maior desafio de sua vida, já que, agora, tem um “barril de pólvora” nas mãos. O novo comandante é nomeado num momento em que a PM atravessa um período bastante delicado.

Além dos sucessivos atentados contra policiais nos últimos meses, o Estado se deparou com duas notícias que preocuparam as autoridades: cinco militares foram flagrados matando um suspeito que já estava rendido em uma operação na zona sul da Capital e outros policiais são suspeitos de terem checado fichas de antecedentes criminais de vítimas de homicídios horas antes de elas serem mortas.

Em respeito ao novo secretário de Segurança Pública - Fernando Grella, que assumiu a pasta na última quinta-feira -, Meira informou que não poderia revelar quais o plano de sua gestão para combater a escalada da violência no Estado. Mas adiantou que o ajuste de alguns detalhes seria concluído amanhã, durante reunião a ser realizada na secretaria.

“Nós não vamos fazer festa ou solenidade de nomeação. Não é o momento. Há uma quantidade absurda de policiais mortos. Vou assumir e começar o trabalho, discutir as estratégias e definir a equipe que irá trabalhar com a gente”, detalha.

 

Trabalho conjunto

Apesar de dizer que a “ficha não caiu” após ser designado para o cargo, Meira está ciente de sua responsabilidade diante do novo trabalho. Como comandante-geral, ele irá chefiar todo o policiamento urbano, rodoviário, ambiental e o Corpo de Bombeiros da Capital, Grande São Paulo e Interior do Estado.

“É um trabalho complexo. Segurança pública é um grande problema, que interfere na vida de todas as pessoas, sejam pobres ou ricas. Nosso principal objetivo vai ser devolver a sensação de segurança a essas pessoas”, frisa.

Meira destacou ainda a importância do trabalho conjunto entre as polícias Militar e Civil. Além dele, assumirá amanhã, como novo delegado-geral da Polícia Civil, o sorocabano Luiz Maurício Blazeck, atual delegado Divisionário da Assistência Policial.

“As duas polícias ficam mais fortes quando trabalham juntas. As vaidades e interesses de cada uma têm de ser deixados de lado em nome de um mesmo propósito, que é focar em ações concretas de combate ao crime”, comenta.

O nome do delegado Mário Leite de Barros Filho, que também comandou a região de Bauru, chegou a ser cogitado chefiar a Polícia Civil no Estado, mas, de acordo com Meira, a escolha de Blazeck já teria sido confirmada pelo novo secretário de Segurança Pública.

 

Quem é

Formado em Ciências Jurídicas, o coronel Benedito Roberto Meira está na Polícia Militar há 31 anos e já comandou o 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), em Bauru, em 2009. Ele permaneceu de 1985 a 2009 na cidade, onde constituiu família e ainda mantém um imóvel.

Antes de comandar o 4º Batalhão, Meira, ainda tenente, comandou a 1ª Companhia da PM, entre 1995 e 2005. Depois, ao obter a patente de major, tornou-se coordenador operacional do 2º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, permanecendo no cargo de 2005 a 2008.

Já tenente-coronel, deixou o comando do 4º Batalhão e foi, em 2010, para São Paulo. Chefiou por um ano a zona leste da capital paulista e, em 2011, foi para Araçatuba, onde ficou à frente do Comando de Policiamento do Interior-10 (CPI-10). Em abril de 2012, foi designado secretário-chefe da Casa Militar e, agora, assume o comando-geral da PM no Estado.

 

Dança das cadeiras

Com a mudança, deixarão o cargo o  comandante-geral da PM, Roberval França, e o delegado-geral Marcos Carneiro de Lima. As alterações na cúpula da Segurança são as primeiras anunciadas na gestão do novo secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, que assumiu a pasta na última quinta-feira.

No mesmo dia, Carneiro de Lima já havia anunciado que entregaria o comando da Delegacia-Geral de Polícia (DGP) em consideração ao então secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que o havia convidado para a função.

A saída de Carneiro foi confirmada um dia depois de ele dizer que parte das vítimas executadas nos ataques no Estado tiveram suas fichas criminais pesquisadas horas antes de serem mortas, o que seria um indício da atuação de policiais no crime. Em agosto, uma facção criminosa ordenou os assassinatos de militares. Agora, policiais são investigados por suspeita de pertencerem a grupos de extermínio de criminosos, como forma de vingar a morte dos colegas de farda.


“A ficha não caiu”

Depois de 31 anos de trabalho na Polícia Militar, o coronel Benedito Roberto Meira afirma que assumirá o maior desafio de sua vida. Apesar de dizer estar preparado para a nova função, revela que “a ficha ainda não caiu”.

JC - Este é o maior desafio da sua carreira?

Meira - Com certeza é.  A nossa carreira é igual criar um filho. Quando o filho nasce, a gente tem de acordar de noite quando ele chora. Depois, vem o desafio da escola, amigos, faculdade. São desafios momentâneos. Quando eu estava comandando a 1ª Companhia, em Bauru, ficava assustado, porque era algo complexo.

JC - E agora, como vai ser assumir o comando em todo o Estado?

Meira - Acordei hoje (ontem) de manhã e me dei conta de que a ficha ainda não caiu. É muita responsabilidade. Muitas pessoas dependem do seu trabalho e elas criam uma expectativa sobre o que você vai fazer. É o maior desafio da minha vida.

 

Eclair também ocupou o cargo

Além do coronel Benedito Roberto Meira, Bauru já teve outro militar no comando-geral da PM no Estado. Trata-se do coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, que foi comandante do 4º Batalhão, em Bauru, entre 1999 e 2001.

Depois de passar dois anos na Capital, voltou a Bauru e assumiu o Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), em 2003. Entre o final de 2004 e início de 2007, ficou à frente da PM, como comandante-geral do Estado. 

 

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