Domingos atrás assisti a uma reportagem que mostrava os pequenos produtores de Queijo Minas tentando vender sua produção. Foi de dar dó, pois nem traficante da cracolândia esconde-se tanto em suas atividades ilícitas (aliás, já nem mais se esconde. Coisas da tal política pública...). A questão é que grande maioria dos sitiantes produz o queijo artesanal, como feito há séculos pela humanidade e com carinho por aqueles que sobrevivem do seu "agronegócio" nas fazendas do interior de Minas Gerais e São Paulo.
Ocorre que os burocratas da Anvisa e do Ministério da Saúde decidiram que é preciso regras para a produção, criando um manual com 243 normas das mais inacreditáveis: ordenha em currais com piso de cimento, material esterilizado, proibição de contato manual com as tetas da vaca, proibição de uso dos baldes entre as pernas do peão, e isso sem falar na quantidade de carimbos que o produto terá que ganhar antes de ser levado ao comércio.
Como explicar isso para um sexagenário que produz e vende queijo desde que se conhece por gente. Ao criar o emaranhado de leis incompreensíveis, os órgãos de controle federais, se não levam à falência os pequenos produtores, acabam por estimular a clandestinidade das vendas nas ruas, aliás, como foi o enfoque da matéria televisiva. Uma cena deprimente.
Isto decorre da mania dessa gente que infesta os cargos públicos no governo federal em querer tomar conta de tudo que fazemos e colocamos em nossas mesas, como se a população fosse sempre composta por idiotas incapazes de decidir se um queijo é bom apenas pela aparência ou cheiro, e não pela quantidade de carimbos que leva.
Micro-organismos? Por favor, estão conosco há 2,5 bilhões de anos, inclusive dentro de cada ser humano, numa fauna e flora que faz sermos o que somos, por bem ou por mal. Deixemos de neurose! Mas, cuidado leitor: se amanhã alguém acusá-lo de estar consumindo algo ilegal, fundaremos a queijolândia para consumir o produto! Assim o governo faz vistas grossas.
Ivan Goffi