Geral

PM foca bloqueios em motocicletas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru tem intensificado, ao longo dos últimos seis meses, os bloqueios de trânsito, mais conhecidos como “blitz”, com o foco principal em fiscalizar motociclistas. As ações que ocorrem em toda a cidade, segundo a própria PM, visam a prevenção contra alguns tipos de delitos que se tornaram mais comuns no mundo do crime e que, quase sempre, terminam do mesmo modo: com a fuga dos bandidos sobre duas rodas.

Roubos a malotes, tráfico de drogas, furtos e roubos a estabelecimento comerciais e a pedestres também são alvos. São diversificadas modalidades de crimes praticadas com o uso de motocicletas em Bauru, conforme o JC vem divulgando em suas edições.

Com o objetivo de inibir esses e outros tipos de ações criminosas, a Polícia Militar informa que desde maio deste ano tem apostado no aumento das blitz urbanas, focando, principalmente, a intervenção aos motociclistas.

“Intensificamos os bloqueios e o número de motos apreendidas aumentou muito. Hoje, 70% de ações desse tipo realizadas são focadas nas abordagens a motocicletas. Isso porque nossas estatísticas mostram que a moto geralmente está envolvida no submundo do crime”, ressalta o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, já desmistificando que, apesar da intensificação, as ações não possuem apenas o caráter de prevenção ao crime, mas visam a proteção do próprio motociclista.

 

Sem crucificar

“A maior parte dos acidentes envolvem imprudência com as motocicletas. Nossa ideia não é crucificar esse tipo de locomoção, mas atentar os condutores quanto aos riscos que envolvem o veículo de duas rodas”, completa o tenente-coronel da PM.

O batalhão informou não possuir o mesmo levantamento referente às ações realizadas 2011, para fins de comparação. Mas, o capitão reforçou que a quantidade de blitz seria, no mínimo, 20% inferior.

 

Indícios

Em um bloqueio de trânsito alguns indícios são prioritariamente observados pelos policiais antes da abordagem, conforme explica o comandante do 4º BPM-I.

Motocicletas que trafegam com duas pessoas, seja o passageiro homem ou mulher, possuem prioridades na blitz.

“O roubo com o uso da moto quase sempre é praticado por duas pessoas e, geralmente, é o passageiro quem está armado”, frisa o tenente-coronel.

Outras infrações aparentes como faróis queimados, capacete colocado de modo irregular na cabeça ou com o celular acoplado, sacolas penduradas do guidão e até mesmo o modo de condução do motorista, se realiza manobras bruscas ou dirige com vestimentas ou sapatos inadequados, são alguns dos critérios que definem a seleção para a parada obrigatória quando a motocicleta trafega em direção ao bloqueio.

“Muitas pessoas conduzem a moto de chinelo e acham que isso não dá em nada, mas é proibido”, salienta o comandante sobre as autuações realizadas.

Ao ser autuado, o condutor passa por uma abordagem policial na qual é verificado antecedente criminal e realizada buscas pessoais para verificar a existência de armas, drogas e até de tatuagens que possam revelar se o infrator possui ligação com facções criminosas.

Para qualquer tipo de infração, a motocicleta acaba apreendida pelo guincho junto ao Pátio da 5º Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran).


Locais

Por desembocarem grande parte do fluxo no trânsito, algumas ruas e avenidas da cidade são denominadas pela Polícia Militar como “corredores de fuga”. Esses locais abrigam constantes bloqueios realizados pelo Pelotão de Trânsito da PM. (Veja mais no Mapa da Blitz)

O bloqueio não tem hora para acontecer, mas segundo o tenente-coronel, a demanda ocorre geralmente das 13h à 1h, de quinta-feira a sábado.

Por conta do maior fluxo deste tipo de locomoção, as atuações ocorrem com maior frequência nas áreas leste e oeste da cidade.

Na tarde da última terça-feira, por exemplo, uma ação que ocorreu na quadra 42 da avenida Rodrigues Alves, próximo ao Horto Florestal, comandada pelo 1º tenente da PM, José Sérgio de Souza, em parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) culminou com a apreensão de 4 motocicletas, das 63 abordagens realizadas.  “O pelotão atua nos locais que apontam tendência do aumento da criminalidade”, enfatiza o tenente Souza.

Já os bloqueios relâmpagos realizados pelas equipes da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocans) da PM duram de 20 a 25 minutos e podem acontecer em até quatro locais diferentes em uma mesma noite, mas preferencialmente, próximo aos “bolsões de motos” no Centro e na zona Sul.

“Alguns guardadores dão as dicas aos bandidos qual a melhor moto para ser furtada”, explica o comandante do 4º BPM-I.


Em números

A polícia registrou neste ano 1.013 grandes operações de bloqueio no trânsito. Ao todo, 38.450 motos foram abordadas e 6.500 autuadas, sendo que 1.800 ainda permanecem ao pátio por apresentarem irregularidades administrativas. Já o total de carros abordados chegou a ultrapassar 189 mil. As informações foram fornecidas pelo 4º BPM-I por meio do capitão da PM Alan Terra. 

Comentários

Comentários