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Roubo de carros

Mario Eugenio Saturno
| Tempo de leitura: 3 min

A escalada da violência não está acompanhada de aumento significativo de furtos e roubos no Estado de São Paulo. Pelos dados da Secretaria de Segurança Pública referentes ao mês de agosto, os casos de roubos e furtos de veículos registraram aumento de 3,9%, passando de 6.974 roubos, entre janeiro a agosto do ano passado, para 7.244 neste ano. E os furtos, o crescimento foi de 2%, passando de 9.532 casos em 2011, para 9.719 neste ano.

Isso faz com que o seguro represente até 20% do custo do veículo. E pesa no custo os carros mais visados. Para baixar esse custo, precisariam reduzir o roubo de carros. As autoridades não conseguem vencer essa guerra porque agem (em geral mal) somente após o ocorrido, não tem muitas medidas de prevenção. Já tive oportunidade de escrever sobre o uso de carros-iscas nos Estados Unidos, uma interessante ação de combate ao crime.

Uma sugestão das seguradoras para minimizar o problema, segundo reportagem da Veja, não envolve governo, basta que as montadoras de veículos estipulem um preço melhor para peças de reposição já que isso causa grande demanda de peças nos desmanches, destino certo de muitos carros roubados. E os ladrões preferem os carros populares e que sejam fáceis de abrir.

A escolha de uma vítima pelo ladrão é a facilidade de roubar, assim os distraídos são preferidos, portanto, nada de usar o celular enquanto dirige, que além disso, é proibido e perigoso. Também é fator de risco dirigir com os vidros abertos, demorar para sair do veículo ao estacionar ou ainda ficar esperando alguém dentro do carro.
Colar adesivos de clubes e profissão entre outros é o mesmo que vestir um enorme alvo já que alertam a condição social ou indicar a rotina da família. Carros com cores berrantes chamam muita atenção em uma fuga e são mais fáceis de se localizar, depois de roubado e são menos valorizados no mercado como os com cores neutras, como branco, preto e prata, além do que fornecem peças menos procuradas para reposição.

Um fato curioso, o índice de roubo é maior em locais próximos aos desmanches, onde é fácil a rota de fuga. O período da manhã também é o preferido pelos ladrões. Os criminosos evitam veículos com película porque ele não consegue ver quem e quantas pessoas estão dentro do carro, por outro lado, para furtar é melhor já que ele não será facilmente identificado pela polícia. Os veículos com poucos acessórios são menos visados, já que têm menos peças para serem revendidas. Atraem os ladrões rodas metálicas, rádios, tevês, GPS entre outros equipamentos que podem ser vendidos separadamente. Os rádios originais de fábricas não interessam aos bandidos.

Os ladrões ainda evitam carros blindados e com equipamentos de segurança, até porque dão muito trabalho para desmontar. Se bandido quisesse trabalho não seria bandido... E não custa lembrar que em Buenos Aires, Argentina, o governo regulamenta os desmanches que recebem os carros das seguradoras que, por sua vez, ganham 40% do lucro da venda das peças ou da reciclagem. Além de reduzir o consumo de energia, a poluição e os desmanches ilegais, diminui-se em até 70% o furto e o roubo de veículos. Ação a ser copiada "e colada".

O autor, Mario Eugenio Saturno (mariosaturno.blog.com), é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e congregado mariano

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