Bairros

Corpo de jovem é deixado em UPA

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

O jovem abandonado na porta de UPA da Vila Ipiranga foi espancado até a morte

O corpo de um homem foi abandonado em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga, no início da tarde de ontem. A morte, conforme apontou exame necroscópico realizado no Instituto Médico Legal (IML), ocorreu em decorrência de espancamento, algumas horas antes da vítima ser deixada em frente à unidade. Mais tarde, ele foi identificado em fotos por familiares como Willian Rafael da Silva, de 20 anos, segundo consta em BO da Polícia Civil.

De acordo com uma testemunha, que teve a identidade preservada por questões de segurança, o cadáver teria sido abandonado na porta da UPA por indivíduos a bordo de um automóvel de cor clara, segundo ela, um Gol branco. Essa mesma pessoa que diz ter presenciado o fato, um pedreiro de 27 anos, pegou a vítima no colo e entrou com ela na unidade de saúde em busca de atendimento.

Essa testemunha, que segundo a polícia tem passagem criminal por porte ilegal de arma de fogo, alega não conhecer Silva. “Faria isso por qualquer outra pessoa”, disse, ainda na UPA, ao lado de policiais militares da Base Oeste e às equipes da Polícia Civil e Polícia Científica.

No momento em que o jovem foi deixado na UPA, seu corpo estava molhado, segundo observou o médico Claudemiro Unidiciatti, plantonista da unidade de atendimento.

Esse detalhe reforçou a hipótese inicial de afogamento, mas que foi descartada após a necropsia. “Existem lesões no tórax, costas e de defesa nos braços”, detalha o legista Rodolfo Castilho, que realizou o exame no IML.

Apesar de requisitar exame complementar de sangue, o médico atestou o espancamento como causa da morte, provavelmente por asfixia decorrente de fortes pancadas observadas na região do tórax da vítima.

A polícia investiga as circunstâncias do crime, registado como homicídio, além de buscar quem deixou o corpo em frente à UPA.

 

Castigo ‘além da conta’

Um castigo que teria passado dos limites é uma das prováveis linhas de investigação a ser adotada no caso, segundo comentaram informalmente alguns policiais em frente à UPA da Vila Ipiranga ontem à tarde.

Um possível acerto de contas por meio de um “susto” mediante violência, com força “além da calculada” pelos agressores, é aventado.

Outra hipótese é de que os agressores teriam deixado a vítima no local para ser medicada. “Os autores, possivelmente, acharam que ‘não terminaram’ de matar”, disse o delegado Paulo Calil, do Plantão da Polícia Civil.

Médico da UPA e fontes policiais asseguram que o homem chegou sem vida à unidade. Contudo, o indivíduo inicialmente arrolado como testemunha e que teria “socorrido” a vítima diz o contrário. “Ele estava vivo, vi quando mexeu os olhos”, alega ele, que prestou depoimento no Plantão Policial.

Porém, a questão sobre se a vítima entrou viva ou morta na UPA está fora de discussão, conforme polícia e médicos. De acordo com o legista Rodolfo Castilho, o jovem foi morto de manhã.

 

Reconhecimento tardio

Algumas horas após o corpo ter sido deixado em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga, duas mulheres identificando-se como primas de um jovem desaparecido chegaram ao local.

Ao serem informadas sobre as características físicas do rapaz morto, que tinha três tatuagens, incluindo o nome “Claudenice” estampado num dos braços, elas disseram que seria Willian Rafael da Silva, jovem que, segundo a PM, era morador do Jardim Ouro Verde - bairro próximo ao local onde o corpo foi deixado.

Segundo o que consta no BO registrado no Plantão da Polícia Civil, essas duas mulheres indicaram a casa do pai do jovem, para onde uma equipe da polícia se dirigiu com uma foto da vítima. Ao ver a foto, o homem teria reconhecido de imediato seu filho, Willian Rafael da Silva, 20 anos. Consta, ainda, que ele foi orientado a fazer o reconhecimento oficial no IML, mas se negou a ir ao local. 

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