Acontece Botucatu/Divulgação |
|
|
O presidente do TJ, Ivan Sartori, inaugurou ontem o prédio do novo Fórum de Botucatu |
Botucatu - O prefeito reeleito em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), João Cury (PSDB), “boicotou” ontem à tarde a solenidade de entrega do prédio do novo Fórum da cidade. O evento contou com a presença do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori. O tucano ficou contrariado por não conseguir adiar a inauguração para outra data a fim de possibilitar as presenças do governador Geraldo Alckmin (PSDB), da secretária de Justiça, Eloísa de Sousa Arruda, e do senador Aloysio Nunes Ferreira. O TJ viu a atitude do prefeito como “afronta à Corte”.
Mesmo sem a presença do prefeito, Sartori foi recepcionado pelo presidente da Câmara do município, André Rogério Barbosa, o “Curumim” (PSDB), e pelo diretor do Fórum de Botucatu, juiz Josias Martins de Almeida Júnior. Nenhum secretário municipal esteve presente à solenidade. O imóvel foi construído na avenida Aeroporto, às margens da SP-209 - rodovia João Hipólito Martins - Castelinho, na região do Jardim Riviera.
Para Cury, o TJ escolheu a data sem consulta prévia ao Palácio dos Bandeirantes, por isso não possibilitou as presenças de Alckmin, da secretária de Justiça e de Aloysio Nunes. O prefeito afirmou em nota que a inauguração privou “figuras importantes” da participação de um momento histórico para o desenvolvimento de Botucatu e para a Justiça de São Paulo. O tucano declarou que será marcada uma nova data para a presença das lideranças estaduais em outra inauguração.
Segundo Cury, em 2008 conseguiu convencer o governo a destinar os recursos necessários à execução da obra. Nessa tarefa, ele atribui a atuação “decisiva” do então chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes, na gestão José Serra, de criar as condições necessárias para garantir o investimento de R$ 14 milhões no empreendimento. A Usina São Manoel doou a área para abrigar o novo fórum.
“Afronta à Corte”
Procurado por telefone pelo JC, o presidente do TJ-SP, Ivan Sartori, não quis comentar a ausência do prefeito na inauguração, mas a assessoria de imprensa do tribunal distribuiu uma nota de esclarecimento, momentos antes do evento, em que o presidente do tribunal lamenta a atitude do prefeito de Botucatu em apregoar uma nova inauguração “em uma clara atitude de afronta à autoridade da Corte.”
A nota do TJ também desmente o prefeito de que a instituição teria alijado da cerimônia de inauguração as autoridades estaduais. “Acionado, na sexta-feira passada, por secretário do Palácio dos Bandeirantes, imediatamente, o presidente da Corte, manteve contato direto com o senhor governador propondo-se até de forma insistente adiar a instalação de modo a possibilitar o comparecimento de sua Excelência. Todavia, o senhor governador foi enfático ao dizer que não havia necessidade de postergação e que faria de tudo para comparecer”, diz a nota.
O presidente do TJ justificou ainda que transferir às vésperas a data da inauguração - marcada há quase um mês e meio - seria desrespeitoso para os magistrados, os servidores e a população. Em entrevista ao JC, Sartori explicou que o novo prédio agrupará todas as varas estaduais, agilizará mais os serviços e dará conforto para os juízes. “Vejo essa instalação como um grande marco. Botucatu é uma cidade de grande importância”, disse Sartori.
Estrutura
A construção do novo prédio do Fórum levou cerca de três anos para ser finalizada, tem uma área total de 20 mil m² e 7,5 mil de área construída, espaço suficiente para abrigar dez varas judiciais.
Cerca de 1,5 mil pessoas procuram os serviços desta Justiça local todos os dias. Atualmente a esfera da cidade conta com 165 funcionários, 48.390 processos em andamento, dos quais cerca de 1.890 foram ajuizados no mês de outubro.
Botucatu é sede da 23ª Circunscrição Judiciária, à qual também pertencem as comarcas de Conchas e São Manuel. As Regiões Administrativas Judiciárias (RAJs), que somam dez em todo o Estado, foram criadas pela atual gestão com o objetivo de melhorar a estrutura de organização judiciária e a racionalização dos recursos públicos, em função da extensão territorial do Estado.
