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Uma das estruturas montadas pelos alunos de arquitetura fica perto do Guilhermão |
Uma intervenção arquitetônica com estruturas em tecidos tensionados, que lembram conceitos das obras realizadas por um dos arquitetos mais influentes do mundo, o brasileiro Oscar Niemeyer - morto anteontem, aos 104 anos.
Coincidência ou ironia do destino, um dia após a morte do pioneiro das curvas no concreto armado - que mobilizou a mídia nacional e internacional - cerca de 90 alunos do primeiro e segundo anos do curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) trabalhavam, ontem, para construir quatro tenso-estruturas ao longo do câmpus.
Leveza, movimento, inovação, integração com o meio, criatividade, muitas curvas e dedicação. Esses foram elementos principais utilizados para a concretização do projeto, que começou há cerca de um mês e meio após estudos em uma disciplina ministrada pelo professor e coordenador das atividades, Sidney Tamai.
Apesar do projeto não se relacionar diretamente com um tributo ou uma ação em homenagem a Niemeyer, o professor explica que, em vista ao clima de luto após a perda de um dos mestres da arquitetura brasileira um dia antes da aplicação da proposta, a intervenção - que possui grande parte dos elementos trabalhados por Niemeyer - também acontece como forma de celebrar as contribuições dele para o país.
“Com certeza foi uma grande perda para a arquitetura. Ele era craque em curvas e conseguia transmitir de forma concordante uma leveza ao concreto, além do aspecto da vida e da nossa cultura”, relaciona Tamai.
Segundo ele, ainda no início de 2012, os alunos do primeiro ano do curso fizeram trabalhos de reprodução em maquetes de algumas obras de Niemeyer, como a Casa das Canoas.
“A vantagem de ser arquiteto é que ele será imortalizado por suas obras”, completa a aluna do 1º ano de arquitetura na Unesp Letícia Brante, 19 anos.
A ideia do trabalho, segundo explica o professor, é proporcionar uma aplicação prática a partir dos conceitos aprendidos. “Queremos montar uma estrutura efêmera, contemporânea, prática, flexível, que chame a atenção e proporcione a integração com a comunidade e ao mesmo tempo acrescente algo ao meio ambiente”, reforça a aluna Ana Raquel Sanches, 20 anos, estudante do primeiro ano do curso, apontando para a árvore existente na pracinha onde a banda da Unesp ensaia.
Antes de partir para a experimentação, Tamai explica que os estudantes realizaram cálculos e planejamentos visando a montagem de cada estrutura.
Ao todo, quatro locais receberão as tenso-estruturas nas imediações do campus: em frente à Biblioteca, próximo ao anfiteatro Guilhermão, na área das salas 50 e uma pequena praça fora do câmpus, local onde a bateria da Unesp Bauru ensaia.
Mais de 120 metros quadrados de tecido elastano nas cores amarelo, azul, laranja e rosa, várias estacas de bambu, cordas, argolas e esticadores. “O material é alternativo e o projeto busca brincar com o ambiente e com a luz, assim como Niemeyer também fazia com suas obras, mas de um modo genial e em concreto”, relaciona a estudante do 2º ano de Arquitetura da Unesp, Letícia Rolim.
Conforme a estudante Beatriz Mollis, em ambientes públicos, o tecido tensionado proporciona tanto novos espaços de permanência quanto de passagem. “As estruturas são uma alternativa às construções pesadas, transmitem leveza, além de proporcionar sombreamento de áreas e intervenções na paisagem.” A montagem das estruturas foi realizada ontem. As intervenções ficarão expostas até 13 de dezembro. Para acompanhar o projeto, acesse no Facebook: http://www.facebook.com/pages/Projeto-Tecidos-Tensionados/135261593292757.
Para os alunos, concha acústica do Vitória lembra obras do arquiteto
Projetada na década de 50, a casa do próprio Oscar Niemeyer, mais conhecida como Casa das Canoas, que mais tarde foi tombada tornando-se uma fundação com o nome do arquiteto, foi alvo de estudos e reprodução de alguns alunos do primeiro ano de arquitetura da Unesp no início deste ano.
Admiração
“Quebramos a cabeça para reproduzir essa obra em maquete. É bem sinuosa, orgânica e possui muitos detalhes. Sempre o admirei. Com certeza será uma das minhas inspirações, tanto de profissionalismo quanto de garra”, comenta a estudante Juliana Ribeiro. “Gostaria de ter conhecido ele”, completa Letícia Brante.
Entre as obras mais famosas de Niemeyer está o Parque Ibirapuera e o Edifício Copan, ambos em São Paulo. Já na Capital federal, o filho do modernismo criou o Itamaraty, o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral, a Praça dos Três Poderes, entre outros prédios e monumentos.
