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Estudantes reverenciam Niemeyer

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno

Uma das estruturas montadas pelos alunos de arquitetura fica perto do Guilhermão

Uma intervenção arquitetônica com estruturas em tecidos tensionados, que lembram conceitos das obras realizadas por um dos arquitetos mais influentes do mundo, o brasileiro Oscar Niemeyer - morto anteontem, aos 104 anos.

Coincidência ou ironia do destino, um dia após a morte do pioneiro das curvas no concreto armado - que mobilizou a mídia nacional e internacional - cerca de 90 alunos do primeiro e segundo anos do curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) trabalhavam, ontem, para construir quatro tenso-estruturas ao longo do câmpus.

Leveza, movimento, inovação, integração com o meio, criatividade, muitas curvas e dedicação. Esses foram elementos principais utilizados para a concretização do projeto, que começou há cerca de um mês e meio após estudos em uma disciplina ministrada pelo professor e coordenador das atividades, Sidney Tamai.

Apesar do projeto não se relacionar diretamente com um tributo ou uma ação em homenagem a Niemeyer, o professor explica que, em vista ao clima de luto após a perda de um dos mestres da arquitetura brasileira um dia antes da aplicação da proposta, a intervenção - que possui grande parte dos elementos trabalhados por Niemeyer - também acontece como forma de celebrar as contribuições dele para o país.

“Com certeza foi uma grande perda para a arquitetura. Ele era craque em curvas e conseguia transmitir de forma concordante uma leveza ao concreto, além do aspecto da vida e da nossa cultura”, relaciona Tamai.

Segundo ele, ainda no início de 2012, os alunos do primeiro ano do curso fizeram trabalhos de reprodução em maquetes de algumas obras de Niemeyer, como a Casa das Canoas.

“A vantagem de ser arquiteto é que ele será imortalizado por suas obras”, completa a aluna do 1º ano de arquitetura na Unesp Letícia Brante, 19 anos.

A ideia do trabalho, segundo explica o professor, é proporcionar uma aplicação prática a partir dos conceitos aprendidos. “Queremos montar uma estrutura efêmera, contemporânea, prática, flexível, que chame a atenção e proporcione a integração com a comunidade e ao mesmo tempo acrescente algo ao meio ambiente”, reforça a aluna Ana Raquel Sanches, 20 anos, estudante do primeiro ano do curso, apontando para a árvore existente na pracinha onde a banda da Unesp ensaia.

Antes de partir para a experimentação, Tamai explica que os estudantes realizaram cálculos e planejamentos visando a montagem de cada estrutura. 

Ao todo, quatro locais receberão as tenso-estruturas nas imediações do campus: em frente à Biblioteca, próximo ao anfiteatro Guilhermão, na área das salas 50 e uma pequena praça fora do câmpus, local onde a bateria da Unesp Bauru ensaia.

Mais de 120 metros quadrados de tecido elastano nas cores amarelo, azul, laranja e rosa, várias estacas de bambu, cordas, argolas e esticadores. “O material é alternativo e o projeto busca brincar com o ambiente e com a luz, assim como Niemeyer também fazia com suas obras, mas de um modo genial e em concreto”, relaciona a estudante do 2º ano de Arquitetura da Unesp, Letícia Rolim.

Conforme a estudante Beatriz Mollis, em ambientes públicos, o tecido tensionado proporciona tanto novos espaços de permanência quanto de passagem. “As estruturas são uma alternativa às construções pesadas, transmitem leveza, além de proporcionar sombreamento de áreas e intervenções na paisagem.” A montagem das estruturas foi realizada ontem. As intervenções ficarão expostas até 13 de dezembro. Para acompanhar o projeto, acesse no Facebook: http://www.facebook.com/pages/Projeto-Tecidos-Tensionados/135261593292757.

 

Para os alunos, concha acústica do Vitória lembra obras do arquiteto

Projetada na década de 50, a casa do próprio Oscar Niemeyer, mais conhecida como Casa das Canoas, que mais tarde foi tombada tornando-se uma fundação com o nome do arquiteto, foi alvo de estudos e reprodução de alguns alunos do primeiro ano de arquitetura da Unesp no início deste ano.

 

Admiração

“Quebramos a cabeça para reproduzir essa obra em maquete. É bem sinuosa, orgânica e possui muitos detalhes. Sempre o admirei. Com certeza será uma das minhas inspirações, tanto de profissionalismo quanto de garra”, comenta a estudante Juliana Ribeiro. “Gostaria de ter conhecido ele”, completa Letícia Brante.

Entre as obras mais famosas de Niemeyer está o Parque Ibirapuera e o Edifício Copan, ambos em São Paulo. Já na Capital federal, o filho do modernismo criou o Itamaraty, o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral, a Praça dos Três Poderes, entre outros prédios e monumentos.

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