Tribuna do Leitor

"Deus seja louvado"


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Essa expressão encerra o sublime sentido de que Deus está acima de tudo, inclusive acima do extraordinário poder do dinheiro. É uma espécie de agradecimento constante e inolvidável da criatura para com o Criador, pois o dinheiro é o produto criado pelo homem que mais lhe ocupa o pensamento, independentemente de raça, credo ou posição social. A inserção da expressão Deus seja louvado, nas cédulas do nosso real, significa que o homem, em que pese não viver sem o dinheiro, tem a lembrança de Deus pairando soberana acima desse poderoso artifício. É inacreditável que o Ministério Público Federal de São Paulo, sob a alegação de ferir os princípios de laicidade do Estado e da liberdade religiosa, tenha pedido a retirada da expressão. Por mais esforço que tenha feito, não consegui alcançar o mérito do argumento. As religiões são apenas rótulos adotados, com doutrinas e rituais próprios a cada seita religiosa, com o fito único de adorar a Deus, que é único para todas elas. Infeliz e descabida, pois, a ação civil pública. Parece-me até que a cunhagem dessa expressão em nossas cédulas foi o único ato louvável que José Sarney consignou como Presidente da República.


Roldão Senger - membro da Academia Bauruense de Letras

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