Caracas - O governo da Venezuela anunciou, em cadeia nacional de rádio e TV, que Hugo Chávez foi submetido ontem, em Cuba, a uma operação oncológica que o próprio presidente descreveu como de “riscos inegáveis”.
O ministro das Comunicações, Ernesto Villegas, leu uma nota informando que a equipe médica que trata o presidente “transmitiu otimismo” sobre a operação.
O presidente esquerdista, que se reelegeu em outubro se dizendo curado, revelou ter câncer em junho de 2011.
No sábado, chocou o país ao informar que teria de se operar para retirada de novas células malignas na zona pélvica, local do primeiro tumor. É a quarta intervenção que realiza em 18 meses.
Na Venezuela, ministros e auxiliares transformaram aparições públicas e no Twitter num chamado a orações. “Começou a chover! Deus! Chovem mil bênçãos nessa hora tão importante para Chávez”, escreveu Teresa Maniglia no Twitter, a chefe de imprensa da Presidência.
Na Bolívia, o ator americano Sean Penn fez uma vigília por Chávez vestindo um abrigo com cores da bandeira venezuelana. A nova operação mergulhou a Venezuela num clima de expectativa que eclipsou a reta final da campanha eleitoral - governadores serão escolhidos no domingo.
Oposição
“Vampiros” e “necrófilos” foram algumas das expressões usadas pelos aliados de Chávez, para os opositores que especulam sobre o possível falecimento do líder.
Apesar disso, o reconhecimento do presidente no fim de semana de que o câncer poderá colocar fim ao seu governo de 14 anos representou o término de um tabu. Os líderes da oposição sabem que poderão ter outra chance de fazer descarrilar a revolução socialista no país integrante da Opep. “Estamos trabalhando com todos os cenários possíveis, mas uma coisa está clara: é o povo venezuelano (não Chávez) que vai decidir o seu futuro”, afirmou a líder da oposição Maria Corina Machado, após uma reunião estratégica com colegas anteontem.