Política

DAE compra máquinas ?sucateadas?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo após o fim de uma aguda crise atravessada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), os problemas não param de surgir. Anunciada como grande passo no combate ao sucateamento da estrutura da autarquia, a recente compra de maquinários não surtiu efeitos imediatos nos serviços prestados. Boa parte dos equipamentos, dias ou semanas após serem entregues, apresentou problemas e defeitos. É o caso, por exemplo, do caminhão comboio, do hidrojato e de cinco caminhões basculantes, que, juntos, custaram mais de R$ 1,4 milhão.

O hidrojato é utilizado para desentupir a rede de esgoto. A máquina foi entregue ao DAE há cerca de 40 dias, chegou a ser utilizada para testes, mas apresentou o primeiro problema uma semana depois. A mangueira rompeu durante um dos primeiros serviços de manutenção. O Jornal da Cidade recebeu denúncias de que a estrutura fora entregue fora do padrão exigido pelo edital. A informação, porém, é negada pelo diretor Fabiano Gavaldão, diretor da Divisão de Apoio Operacional (DAO) da autarquia.

“A empresa vencedora da licitação [Fatriton, de Toledo (PR)] substituiu a mangueira e não tivemos mais problemas”, pontua.

No entanto, o problema não foi só este: pouco tempo depois, o hidrojato apresentou defeito na embreagem. Segundo Gavaldão, a estrutura estava superaquecendo. “A empresa deu manutenção, mas continuou sem funcionar. Então ela pediu nova embreagem para o fornecedor deles e tem até sexta-feira para fazer a troca”, conta o diretor.

Fabiano minimiza o problema, observando que as trocas estão sendo feitas dentro do prazo de garantia. É, porém, de bastante estranheza que um equipamento novo apresente tantos problemas, especialmente pelo fato de o mesmo problema se repetir em outros equipamentos.

Além disso, o serviço à população também é prejudicado. Tanto é que o DAE não vai descartar seu antigo hidrojato. A diferença é que, diferentemente do equipamento que tem sido utilizado, a nova compra, além de fazer a limpeza da rede com pressão de água, drena a sujeira.

 

Prejuízo

A máquina nova parada faz com que o DAE também deixe de arrecadar. Isso porque a autarquia cobra R$ 474,10 pela hora de utilização do equipamento para fins particulares. Esse dinheiro aceleraria a recuperação do investimento da ordem de R$ 369.500,00, incluindo o caminhão ao qual o hidrojato é acoplado.


Investimentos

Neste ano, a Prefeitura de Bauru repassou ao DAE R$ 6 milhões arrecadados com o Refinanciamento Fiscal (Refis). Inicialmente, este dinheiro seria destinado ao Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

No entanto, as crises de abastecimento e de gestão que assolaram a autarquia provocaram mudanças. Metade do dinheiro está sendo aplicado em perfuração de poços e a outra metade, justamente, para a recuperação do maquinário do departamento.

 

Fitas de segurança “remendam” caminhões basculantes do órgão

O JC recebeu denúncias referentes aos cinco caminhões basculantes adquiridos pelo DAE. A empresa vencedora da licitação das caçambas - Morumbi, do Rio de Janeiro – colocou duas fitas de segurança para segurar as caçambas desses caminhões. O diretor Fabiano Gavaldão admitiu que isso aconteceu após funcionários da autarquia perceberem que a abertura  dessas estruturas, controladas por um pistão, estava ultrapassando o limite.

O responsável pela Divisão nega que tenha ocorrido problemas mais concretos. “Tivemos uma conversa técnica com a empresa, que nos apresentou essa solução”.

Mesmo com o evidente ‘remendo’, cerca de quinze dias após a entrega dos caminhões, Gavaldão garante que não vê gravidade no caso. “É muito natural. Os caminhões antigos têm um batente. Mas cada uma dessas cintas aguenta três toneladas. Elas protegem o pistão, limitando de 10 a 30 centímetros a abertura máxima, aumentando a vida útil”, argumenta.

O diretor ignora, porém, o ponto que parece óbvio: se a utilização das cintas fosse necessária e natural deveria ter sido considerada na elaboração do edital. “Não colocamos porque nós mesmos poderíamos fazer isso aqui. Além disso, não tivemos custos adicionais”. Cada caminhão basculante custou R$ 157.600,00 e as caçambas, R$ 20.600,00 por unidade.

Outro equipamento novo que apresentou problema foi o caminhão comboio, utilizado como um ‘posto’ móvel para abastecer e dar manutenção ao maquinário do DAE. Mesmo com a entrega do novo, no dia 3 de dezembro, o caminhão antigo precisou ser utilizado. Isso porque o ‘cotovelo’ da máquina, utilizada para distribuir o combustível trincou dois dias depois, travando uma de suas válvulas.

De acordo com Fabiano Gavaldão, a empresa que forneceu o caminhão, LDA Equipamentos, de Sumaré (SP), fez a troca da peça na última sexta-feira, sanando o problema. “Temos garantia de um ano. Tudo foi resolvido rapidamente”.

Questionado sobre a estranheza de o caminhão ser alvo de problemas em pouco tempo, Gavaldão não soube responder se isso poderia ser considerado normal, mas chamou o caso de “corriqueiro”.

O caminhão comboio custou R$ 157.800 ao DAE. O antigo será leiloado.

 

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