Pederneiras – Após investigações, a Polícia Civil de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) fechou um imóvel no Centro da cidade que funcionava como ‘escritório’ do jogo do bicho e ‘gerenciava’ cerca de 35 bancas de apostas, entre lanchonetes, bares e residências. De acordo com os responsáveis pelo local, o faturamento com a atividade clandestina chegava a R$ 50 mil por mês. Na casa, a polícia apreendeu cartilhas contendo orientações para que os apostadores tenham seus ‘direitos’ respeitados e indiquem a banca a interessados em trabalhar no ‘ramo’.
Segundo o delegado titular de Pederneiras, Eduardo Herrera dos Santos, a ‘sucursal’ do jogo do bicho estava instalada na rua Duque de Caxias. Na tarde de anteontem, equipes da delegacia foram até o local, onde funcionava a administração, contabilidade, operação e gerenciamento da atividade ilícita, e detiveram A.B.S., 49 anos, e A.R.C., 37 anos. “Durante as diligências investigativas, foi constatado que A.R.C. utilizava a motocicleta para se deslocar em vários bares e residências, nesta cidade, promovendo toda a logística no que se refere ao recolhimento e pagamento das eventuais apostas”, explica o delegado.
“A atuação operacional e logística estava a cargo de A.R.C., que efetuava recolhimento nos pontos de apostas e, de retorno ao imóvel (sucursal), dava sequência às atividades com apurações, conferências, pagamentos e outras providências. Cabia a A.B.S. a gerência da filial, sendo que tal pessoa tem antecedentes criminais por loteria clandestina”.
No imóvel, a Polícia Civil apreendeu blocos de papeis, calculadoras, canetas, fitas, envelopes, carimbos específicos para o jogo do bicho, tinta para carimbo, malotes usados no recolhimento das apostas e dinheiro e um aparelho de fax, que seria utilizado para o envio e recebimento dos resultados e números dos sorteios para conferência.
Entre os documentos recolhidos para perícia estão ainda diversos talões de jogos realizados, talões em branco e talões com sorteios, dois aparelhos celulares e fichas cadastrais de clientes – preenchidas e em branco –, onde eles são intitulados ‘cambistas’ e recebem um código em seu ponto de aposta.
“Foram encontrados também calendários com imagens e cotação do jogo do bicho, contendo ainda os dizeres ‘Águia de Ouro’, fazendo menção a banca do jogo”, revela Santos.
‘Regulamento’
Na ‘sucursal’ do jogo do bicho, a Polícia Civil encontrou várias cópias impressas de cartilhas, intituladas “Regulamentos”, onde constam orientações, tira-dúvidas, tabelas e dicas para que os cambistas (clientes) possam se orientar nos pontos de apostas antes de jogar.
Segundo o delegado, na parte de conselhos e dicas, existe um item que ressalta a importância dos apostadores se atentarem para os seus “direitos”. Em um dos trechos, a cartilha orienta: “Se a banca é correta, indique-a a outros companheiros que queiram trabalhar no ramo”.
A.B.S. e A.R.C. revelaram ao delegado que alugaram o imóvel exclusivamente para a prática da atividade clandestina. De acordo com eles, o faturamento diário com o gerenciamento das bancas de apostas variava de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, algo em torno de R$ 50 mil mensais. Durante as diligências na casa, os policiais localizaram uma caixa de correspondências usada para a entrega das apostas. Dentro dela, havia um envelope branco com R$ 20,00, além de apostas. No local, a polícia apreendeu ainda R$ 4.283,35 em dinheiro. A.B.S. e A.R.C. prestaram depoimento e foram liberados.