Não foram apenas as discussões sobre os projetos da pauta que esquentaram a última sessão da Câmara Municipal de Bauru desta Legislatura. A cassação do mandato de Amarildo de Oliveira (sem legenda) por infidelidade partidária motivou troca de farpas entre José Roberto Segalla (DEM) e Moisés Rossi (PPS). Além disso, depois de quatro anos sem crises em torno da conduta de parlamentares, suposições sobre troca de benefícios financeiros e outros privilégios por votações de projetos foram lançadas.
Chiara Ranieri (DEM), que encerra seu mandato no dia 31 de dezembro, iniciou o ‘debate’. Durante a votação do texto que permite construções residenciais em Zonas de Indústria, Comércio e Serviços (Zics), ela lamentou estar discutindo o tema no final do mandato e, após sugerir que o projeto fosse votado em fevereiro, pela nova composição do Legislativo, afirmou que a postura dos vereadores está sendo colocada em dúvida.
A parlamentar não deixou claro sobre o que estava se referindo, mas disse que os responsáveis deveriam ser investigados. “Não vou dizer porque todos sabem do que estou falando”.
Ao Jornal da Cidade, Chiara declarou apenas que comentários estavam rodando por todos os bares de Bauru.
As colocações da vereadora causaram certo desconforto entre os vereadores. A situação, porém, ficou ainda mais tensa quando Paulo Eduardo de Souza (PSB) subiu à tribuna.
O parlamentar alegou existirem boatos de que Poder Executivo e Poder Legislativo tiveram “a mão molhada” para aprovação de projetos de lei. “Um milhão e meio na mão, o projeto está aprovado. Ganhou um terreninho na ponta do condomínio, o projeto está aprovado”.
O socialista disse ainda que existem nomes suspensos relativos à suposta prática e que é uma pena, ao fim do mandato, vereadores precisarem dizer que são honestos. “Colocar todos no mesmo balaio é injusto”, pontuou.
Paulo Eduardo disse ainda que o pano de fundo para toda a discussão sobre a ocupação residencial em Zics foi a aprovação do empreendimento imobiliário do Grupo Alphaville.
Reação
Antes mesmo do discurso do vereador do PSB, Roque Ferreira (PT) lamentou o que chamou de ‘teorias da conspiração’ e declarou que Chiara deveria apontar os nomes envolvidos nas supostas acusações. Segundo o petista, instrumentos de pressão sempre vão existir, mas o texto da pauta visava apenas a regulamentação parcial da ocupação das Zics no Plano Diretor.
Moisés Rossi (PPS), que apresentou resistência à proposta na sessão ordinária de segunda-feira, afirmou não ter percebido sintomas de corrupção no caso. “Quem está falando não está medindo as palavras”.
Marcelo Borges (PSDB) minimizou o desconforto, alegando que, em discussões como esta, sempre existem boatos.
Já o líder do governo, Renato Purini (PMDB) demonstrou irritação com as declarações de Paulo Eduardo. O peemedebista afirmou que esta Legislatura deu exemplo de seriedade e lembrou, junto a José Carlos de Souza Batata (PT) e Luiz Carlos Barbosa (PTB), tempos conturbados em que chegou a votar a cassação de quatro parlamentares.
De acordo com ele, a ampliação do debate, que não ficou restrito ao empreendimento do Alphaville, reduziu o desconforto dos vereadores. “Do limão, fizemos uma limonada. Se ficássemos só no condomínio, as fofocas seriam ainda maiores”.
Pela tangente
Após o discurso, Paulo Eduardo de Souza (PSB) se recusou a nominar os vereadores e membros do Executivos que teriam envolvimento com os boatos acerca da troca de favores por votação de projetos. “Não sou polícia”, tergiversou.
Posteriormente, o parlamentar alegou que não poderia comprometer colegas embasado apenas em boatos.
No entanto, negou que seu discurso tenha sido irresponsável. “Foi com a intenção de defender a instituição do parlamento”.
Os colegas do socialista, porém, não compartilharam de sua opinião e fizeram duras críticas nos bastidores.