Pedestres e veículos travam uma “guerra” nas vias de Bauru diariamente. A relação conflituosa desrespeita a lógica do mais forte. Mesmo sabendo que está em desvantagem, o pedestre não se sensibiliza e desafia o risco. O motorista, por sua vez, esquece que o homem é mais importante que a máquina.
Atropelamento é uma combinação de pedestre apressado e/ou desatento e motorista “dono” da rua, que só para na determinação do semáforo. O bancário Valdir Toledo comenta que em Londrina e Maringá, municípios do Paraná, a tolerância dos motoristas é muito maior. Ele trabalha em Bauru e mora em Londrina.
Toledo conta que nas duas cidades paranaenses o motorista costuma dar prioridade para o pedestre na faixa sem semáforo, como na do Calçadão da Batista com a rua Gustavo Maciel/Praça Rui Barbosa. Em Bauru, a realidade é muito diferente. Ao comentar o hábito do brasileiro, Toledo cita que vale a “lei do menor esforço”.
A desculpa é a pressa. A tal da pressa faz com que as pessoas se acomodem e transformem o errado em hábito. Elisabete Gonçalves desafiou o tráfego intenso da rua Gustavo Maciel, entre a avenida Rodrigues Alves e o Calçadão da Batista, no final da tarde da última quinta-feira. Ela tinha como opção duas faixas de pedestres próximas - Calçadão/Rui Barbosa ou Gustavo Maciel esquina com avenida Rodrigues Alves.
Ao comentar o que fez de equivocado, sua fisionomia foi se modificando até ficar encabulada. A ficha do risco que corre caiu para Elisabete ao perceber que poderia caminhar até a faixa de travessia segura. “O pedestre é mais mal educado do que os motoristas”, afirma.
As passarelas instaladas nos trechos urbanos de rodovias em Bauru também são invisíveis para os pedestres. O exemplo é a passarela implantada sobre a rodovia Bauru-Jaú, próximo à rotatória da avenida Rodrigues Alves, que é ignorada pelos operários que chegam ou saem das fábricas, no Distrito Industrial I.
O gramado que separa a marginal da pista da rodovia tem um trilho que indica o caminho feito pelos pedestres para atravessar a rodovia em direção do Jardim Redentor.
Os acidentes com vítimas graves caíram significativamente do ano passado para este ano, na comparação entre janeiro a outubro, segundo estatísticas da Polícia Militar em Bauru. Foram 171 em 2011 contra 107 neste ano.
Os acidentes com vítimas se mantém estáveis com cerca de 1.700 no mesmo período do ano passado com este ano.