Em 2011, apenas um terço (32,3%) das cidades brasileiras tinha programa, projeto ou ação de coleta seletiva de lixo em atividade, segundo pesquisa do IBGE. Em Agudos, desde 2009, a prefeitura implantou o serviço de coleta seletiva, colocando o município entre os poucos que investem em sustentabilidade no País e tem preocupação com o meio ambiente e o bem-estar das futuras gerações.
Um caminhão-carroceria, um barracão para armazenar materiais recicláveis e outro barracão para guardar pneus usados fazem parte da estrutura que está deixando a cidade mais sustentável. Cestos de lixo também estão instalados em ruas, avenidas, escolas e postos de saúde para garantir que, mesmo fora de casa, a população tenha opções para não sujar a cidade e contribuir com a natureza e o bem comum.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Marcelo Cogo, semanalmente são recolhidas três toneladas de lixo reciclável. Uma tonelada é composta por papel, plástico e alumínio, e duas toneladas são de pneus, lâmpadas e pilhas. “Os materiais são armazenados em barracões até que tenham quantidade suficiente para que as firmas de cada segmento venham buscar”, explica Cogo.
Até esse acúmulo de materiais que aguarda a chegada dos caminhões tem o objetivo de beneficiar a cidade. “Por não serem perecíveis, não há problema que os materiais recicláveis fiquem armazenados por um período de tempo. Desta forma, podemos economizar o dinheiro público empregado no frete e aplicar esse recurso em benefício da população”, afirma o prefeito Éverton Octaviani.
Constante
Para garantir a eficiência do trabalho, a coleta seletiva é feita diariamente no perímetro urbano de Agudos. Para isso, a cidade é dividida em cinco setores, sendo que cada um é atendido durante um dia da semana.
A população tem feito questão de colaborar. “Faço questão de separar o lixo do material para reciclagem. Lavo latas e garrafas, deixo tudo bem limpo para a coleta”, diz uma aposentada de 82 anos, moradora de Agudos, que preferiu não se identificar.
E, segundo o engenheiro agrônomo da prefeitura, a colaboração de todos é fundamental. “Se a população separa o lixo reciclável, aumenta o volume coletado e diminui a quantidade de lixo que vai para aterro sanitário. Esse comportamento amplia a vida útil do mesmo e reduz gastos do poder público, que podem ser direcionados para melhorar outros serviços”, ressalta.
É a primeira vez que o tema saneamento é abordado nesta pesquisa, que levanta informações junto às prefeituras. No entanto, o cruzamento de dados com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), de 2008, indica que não houve avanço significativo no período em relação à coleta seletiva. A Região Sul tem a maior proporção de municípios com programas em atividade (55,8%), seguida pelo Sudeste, com 41,5%. Norte e Nordeste apresentaram as maiores proporções de municípios sem programas: 62,8% e 62,3%. Em Roraima, nenhum município tinha coleta seletiva em 2011.
“Os municípios ainda não estão estruturados com ênfase na questão do saneamento. Em relação à PNSB 2008, os dados são semelhantes. Poderia ter havido um movimento melhor na questão da coleta seletiva”, diz Daniela Santos Barreto, pesquisadora da coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.