Política

Bauru espera renascimento do HB

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Após anos de notícias negativas em torno do Hospital de Base (HB), que se agravaram nos últimos meses com o iminente risco de interrupção de atendimentos, os bauruenses demonstraram alívio com a solução da crise, mas ainda desconfiam do ‘renascimento’ da unidade a partir do ano que vem, sob a gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). Apesar disso, mantém a esperança e revelam histórias e vínculos de afeto com o HB.

É o caso do empresário Celso Rego e Silva, 50 anos, que já dependeu do Base em duas ocasiões. Na última delas, foi submetido a cirurgias por conta de uma queda de escada, que resultou na quebra do pulso, da clavícula e de três costelas, além da perfuração de um dos pulmões.

Em 2005, no entanto, seu quadro era ainda mais grave. Na ocasião, Celso retirou um tumor do cérebro. “Eu sempre fui muito bem assistido e recebi todos os cuidados dos profissionais. O problema era só de gestão”.

O empresário está otimista com o futuro do HB e acredita que os principais problemas já foram solucionados. “Não poderia deixar fechar uma estrutura como esta. Temos o Hospital Estadual, mas a relação do Base é diferente. Ele tem identidade com a nossa cidade. O outro atende não sei quantos municípios e está sempre lotado”, pontua.

Por sua vez, vendedora Maria Aparecida da Silva, 49 anos, teve a mãe internada no HB em 2010, por conta de um derrame cerebral. “Foram 33 dias lá e as condições eram complicadas porque já estava na crise. Eu espero que as coisas possam mudar”.

O aposentado José Antonio da Silva, de 68 anos, é enfático ao defender o hospital: “Não posso falar nada dele. Precisei ser internado diversas vezes e sempre fui muito bem atendido por funcionários muito dedicados. É claro que existem os problemas e a solução deles vai depender da administração”.

Ele relata que, recentemente, teve problemas com o tempo de espera para conseguir a internação, aguardando vários dias no Pronto-Socorro Central (PSC).

Este drama, porém, não foi exclusivo de Antonio e ocasionou óbitos ao longo deste ano. Isso porque a operacionalidade do Base caiu a 30% de sua capacidade, se comparado ao período anterior à Operação Odontoma, da Polícia Federal, que, em 2009, prendeu membros da diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), gestora da unidade.


Casos se repetem

O mecânico José Alves Ferreira, 30 anos, sentiu isso na pele: após um acidente de moto, em setembro deste ano, ficou 14 dias internado no Base, esperando por cirurgia. Para ser, de fato, atendido, teve que ser transferido para o Hospital Estadual. “A nova gestão precisa alterar essa lógica”.

A lentidão da Saúde pública chega a tirar a esperança de alguns. A empregada doméstica Ana Maria Moreira, 41 anos, sonha com um convênio médico particular. “Infelizmente, quem não tem dinheiro, fica sem atendimento”.

Ela relata que o filho espera há quatro meses por um exame, solicitado com urgência pela rede básica de saúde. “O que precisa acontecer é aumentarem os serviços. Se não, vai ficar tudo como está, independentemente de quem esteja na gestão do hospital. Eu espero que isso possa mudar”, afirma.

 

Esperando acontecer

As recentes boas notícias, como a manutenção de 1.000 empregos, com estabilidade por um ano, e a sucessão trabalhista da AHB pela Famesp, deixaram os funcionários mais aliviados após meses marcados pelas incertezas.

A técnica de enfermagem Claudineia Palmieri do Nascimento, 43 anos, trabalha na AHB há 18 anos e comemora o acerto entre a entidade e o Ministério Público do Trabalho (MPT). “Ninguém fica sem trabalho e estamos com nossos direitos garantidos. Já passei por muitas dificuldades, vim da Maternidade Santa Isabel e o futuro sempre foi uma dúvida aqui dentro. Agora, estou confiante”.

Sua colega Neusa Antunes de Oliveira, de 57 anos, é auxiliar de enfermagem e diz que espera os fatos acontecerem concretamente. “Estou acreditando, desacreditando”.

Já a técnica Fernanda Regina de Souza, 35 anos, pontua a falta de diálogo aberto e direto entre os quem tomam as decisões e a classe trabalhadora. “Por aqui, cada dia é uma história. Tinham que colocar tudo a limpo com a gente”.

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