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O sonho de Natal

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Muitas pessoas relacionam os economistas às pessoas calculistas, materialistas, enfim, racionais, que vivem fazendo conta de tudo, analisando sempre a relação custo/benefício. É compreensiva esta interpretação, posto que a ciência econômica se vale dos modelos estatísticos e matemáticos para alicerçar suas análises e projeções econômicas. A maioria desconhece o fato de a economia ser uma ciência social, que analisa o comportamento das pessoas, dos agentes econômicos e trabalha fortemente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nesta altura você deve estar perguntando: é aula de economia? Afinal, o texto quer chegar aonde?

Na verdade, esta introdução é para dizer que mesmo com toda racionalidade que norteia os economistas e, poderia generalizar, o mundo dos negócios, o sonho de Natal existe. Mas que sonho é este? Desejar um mundo de paz, me parece falar o óbvio. Acabar com a corrupção é chover no molhado. Imaginar uma sociedade sem o abismo social hoje existente é repetir metas de planos econômicos. Meu sonho de Natal na essência é que haja uma mudança no sentimento e comportamento das pessoas. Sabe aquela coisa do se importar com outro? De vibrar com as realizações dos filhos, dos amigos? De segurar na mão dos que caem e ajudá-lo a se levantar? Penso que o Natal em toda sua dimensão indica mudança de comportamento. A vida moderna tem imposto uma rotina que chega a ser massacrante. Todos reclamam da falta de tempo. As pessoas não se visitam mais. A nova geração que está chegando nasceu digital e se isolaram. Vemos um massacre na TV e abstraímos. Passamos nas ruas e, por medo, não enxergamos os desesperados.

Os bens materiais estão dando o tom das amizades. No trabalho um quer passar a perna no outro. Nos negócios em vez de praticarem o "bom para os dois" praticam o bom para mim. O senso coletivo está em segundo plano. Faltam voluntários. Onde está o altruísmo? Como desejar uma sociedade melhor se a grande transformação desta mesma sociedade está na mudança individual? Temos um enorme potencial interno a ser explorado, com um olhar diferente sobre a existência, que às vezes ficamos sem entender porque as coisas não caminham na direção do bem.

O Natal por si só já se reveste de características diferentes. Mesmo que para muitos seja somente mais uma data comercial, o fato de as famílias se reunirem, de os amigos se abraçarem, ou até mesmo o falto de simples Feliz Natal, já muda o comportamento frio das pessoas. Será que tudo que desejo é somente um sonho ou pode ser realidade? Não tenho a resposta, mas uma coisa é certa: as mudanças precisam ser desejadas e eu espero do fundo do coração que cada um de nossos leitores esteja com este desejo. Em sistemas abertos a soma de um mais um dá muito mais que dois indo ao infinito. Se cada um vibrar, mudar, se incomodar, desejar, criaremos um ciclo virtuoso que muda o mundo. Vamos nos apropriar de nossa força interior e fazer um Natal daqueles, mas com o propósito claro de sermos assim todos os dias de nossa vida. Afinal, se estamos nesta existência para sermos felizes, ou melhor, sermos felizes e repartirmos a felicidade, é hora canalizar nossa energia nestas direção. Se efetivamente queremos isso, a sociedade muda e com ela os sonhos se transformam em realidade. Mude já, mude para melhor! Um Santo Natal.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC)

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