Moscou - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem que se importa mais com o destino do povo sírio do que com o futuro do ditador Bashar Assad, em entrevista coletiva em Moscou.
No entanto, reiterou a posição de Moscou de não estabelecer sanções ao regime sírio por sua conduta sobre os confrontos do país, que completaram 21 meses neste mês. A Rússia vetou três medidas contra Assad no Conselho de Segurança da ONU.
Para Putin, as sanções são uma forma de ameaçar o regime para tentar desintegrá-lo, o que não enxerga como alternativa para o país. “Nossa postura é que primeiro haja um acordo sobre a garantia da segurança e a direção do Estado para depois estabelecer reformas respeitando o que foi combinado.”
Assim como outros integrantes do governo russo, defendeu mudanças na Síria, mas disse se preocupar com o destino do país caso Assad saia do poder.
A Rússia teme, segundo Putin, que os atuais rebeldes, em sua maioria sunitas, continuem a combater contra os aliados de Assad, que é alauita, prolongando o conflito por tempo indeterminado.
Aliado
Além dos vetos no Conselho de Segurança da ONU, o Kremlin tomou outras medidas que beneficiaram o regime de Bashar Assad durante os 21 meses de revolta.
Os dois países mantiveram o tratado de cooperação militar, vigente desde a União Soviética, e Damasco comprou mais de US$ 1 bilhão em armamento e suprimentos para o Exército.
O pacto entre os dois países foi condenado pelos países ocidentais, em especial os Estados Unidos, mas Moscou alegou que não pode suspendê-lo.
ONU condena
A Assembleia Geral da ONU condenou ontem a Coreia do Norte, o Irã e a Síria por abusos disseminados aos direitos humanos, e os três países rejeitaram as resoluções adotadas pela maioria das 193 nações, qualificando-as de politizadas.
A resolução sobre a Síria, apresentada por Catar, Arábia Saudita, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e outros governos árabes e ocidentais, recebeu 135 votos favoráveis, 12 contrários e 36 abstenções. “Conforme as batalhas entre as forças do governo e grupos armados contrários ao governo chegam perto do fim de seu segundo ano, o conflito se tornou abertamente sectário em sua natureza”, disseram os investigadores independentes, liderados pelo especialista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, em seu relatório.