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Acolhimento no Albergue cresce 50%

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

História de Claudemir se mistura à do Albergue Noturno

Atuando há 60 anos em Bauru, o Albergue Noturno do Centro Espírita Amor e Caridade parece estar em seu limite. Com a mudança no perfil dos acolhidos ao longo dos anos - e com a implantação do serviço integral oriundo de um convênio com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) para o atendimento da população em situação de rua -, o movimento da unidade aumentou em 50% em um ano.

De 12 mil pernoites registrados no ano passado, o número subiu para 18 mil até novembro deste ano. O número de refeições também registrou aumento de 17 mil para 23 mil pratos somente no jantar servido na unidade.

Em consequência, o novo perfil dos usuários - que antigamente eram viajantes oriundos de diversos Estados e hoje são pessoas de Bauru e região que quase sempre rompem vínculos com a família por algum tipo de vício - transformou o acolhimento em um desafio frente aos novos problemas que a unidade vem enfrentando.

“Estamos praticamente empurrando com a barriga. Bauru está crescendo demais e não temos uma política de saúde eficiente para os usuários de drogas e os gargalos acabam sempre no Albergue” aponta o diretor da unidade Uriel de Almeida, lembrando dos anos em que o Albergue chegava a atender 120 pessoas tranquilamente.

“A mecanização da lavoura, a demanda pela construção civil... A migração mudou e o perfil do Albergue deixou de ser familiar para se tornar individual”, completa.

Atualmente, cerca de 85% dos acolhidos do Albergue Noturno da cidade são usuários de álcool ou outras drogas, conforme revela a coordenadora da unidade, Francine Tamos. “Nossa missão é realizar a reinserção social dessas pessoas”, frisa Francine.


Demanda

Por noite, a unidade chega a atender 70 pessoas, mas conforme revela o próprio diretor, alguns casos considerados problemáticos acabam recebendo a negativa de acolhimento para proteger os demais.

“Procuramos atender todos, mas, às vezes, ocorre a negativa por causa do histórico da pessoa em relação ao Albergue”, afirma Almeida acrescentando que no inverno, problemáticos ou não, todos recebem abrigo.

Por conta do aumento dos problemas relacionados a violência, a entidade precisou separar, de modo emergencial, cerca de R$ 20 mil dos recursos deste ano para contratar uma empresa de segurança particular para garantir a proteção dos demais usuários e funcionários.

“Não planejamos esses gastos. Estamos apagando incêndios apenas”, diz Francine.

O contrato firmado com a Sebes garantirá à unidade R$ 800 mil para o próximo ano, cerca de 60% do orçamento para manutenção do Albergue. Os outros 40% são oriundos de campanhas realizadas pelo Centro Espírita.


Projeção para 2013

A projeção do diretor Uriel de Almeida para 2013 é que a unidade precisará investir na especialização de seus funcionários para atender as emergências que o abrigo tem apresentado.

“O Caps (Centro Apoio Psicossocial), por exemplo, funciona em horário comercial, mas as crises e surtos dos usuários acontecem à noite ou de madrugada, e o PS (Pronto-Socorro Central) não é especializado nisso, apenas medica emergencialmente. Então, a PM ou até mesmo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recolhe esse pessoal e traz pra cá”, comenta Almeida, frisando que o Albergue também é tido como apoio para usuários de drogas que abandonam os tratamentos em clínicas de reabilitação.

Para ele, é preciso que os órgãos envolvidos no atendimento da população em situação de rua, Sebes, Samu, PM, Comunidade Bom Pastor, Esquadrão da Vida, Caps e conselhos municipais, sentem para discutir e elaborar um protocolo de atendimento.

“Isso só será válido se um sistema de atendimento 24h para usuários de drogas com médicos plantonistas for implantado na cidade.”

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