Éder Azevedo |
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Sempre voltada para o trabalho, Heli vive agora uma nova fase. Mãe depois dos 40 anos, ela considera o nascimento do seu filho Estevão um milagre em sua vida. |
28 anos no ensino de idiomas
Ela tem 28 anos de experiência no ensino de idiomas e, hoje, divide o seu tempo entre filho, família, amigos e trabalho. A entrevistada desta semana é Heli Cioccia Reis, diretora administrativa da American Corner, nova franquia de idiomas de Bauru.
“Esses 28 anos de existência com o Yázigi Bauru nos dá o respaldo para criar uma marca própria. Eu e o Marco Campagnucci inauguramos a nossa primeira escola de idiomas em 1985”, aponta.
Sempre voltada para o trabalho, Heli vive agora uma nova fase. Mãe depois dos 40 anos, ela considera o nascimento do seu filho Estevão um milagre em sua vida: “Antes, tudo girava em torno do trabalho e suas demandas. Mas com a vinda dele eu aprendi a desacelerar, delegar mais, sentar para brincar, contar histórias, fazer novos amigos, conviver mais com crianças...”
Histórias de viagens e lembranças da infância em Lins também estão entre as histórias que a entrevista conta, a seguir.
JC- Você é natural de Lins. Quando veio a Bauru?
Heli- Vim para Bauru aos 17 anos de idade para estudar psicologia. Sou psicóloga de formação, tenho pós-graduação em recursos humanos e em língua estrangeira, além de MBA em gestão empresarial. Eu era uma aluna aplicada e, na época da faculdade, minha intenção era seguir a carreira acadêmica, mas a sorte quis que eu seguisse meu mestre, o Marco Campagnucci, com quem tenho sociedade há 28 anos. Eu sou natural de Lins e bauruense de coração, afinal, foi aqui que me realizei pessoal e profissionalmente. Bauru me acolheu de forma muito especial e sou muito grata por isso.
JC- Você tem boas lembranças da infância vivida em Lins?
Heli- Eu sempre gostei de muita gente por perto. Minhas brincadeiras preferidas foram escolinha, onde eu sempre era a professora, e teatro, onde eu montava o espetáculo, ensaiava a acriançada do bairro e fazia apresentações no quintal de casa. Minha mãe e meu pai apoiavam as minhas peraltices, tanto é que meu pai me sedia um espaço em sua oficina, ele montava bancos com cavaletes e minha mãe servia pipoca com ki-suco para a criançada (risos). Era tudo muito bacana. Mais tarde eu entendi que minhas brincadeiras eram, na verdade, um ensaio para o meu futuro.
JC- Como teve início a sua história com o ensino de idiomas?
Heli- Em 1985, eu e o Marco Campagnucci inauguramos a nossa primeira escola de idiomas, onde o Marco ministrava as aulas e eu era a secretária. Na verdade eu fazia um pouco de tudo. As pessoas, fossem elas alunos ou professores, traziam suas ideias e nós as apoiávamos, dávamos suporte. E foi assim que a escola cresceu e surgiram o coral, o teatro, as aulas de fonética e de vestibular. Enfim, a ideia era fazer uma escola atraente. No início, eu e Marco montávamos as excursões para o exterior e acompanhávamos nossos alunos. Dessa forma, eu tive a oportunidade de viajar bastante pelos Estados Unidos (Miami, Orlando, Sarasota, Tennessee, Califórnia, Nova Iorque, Havaí) e morei um bom tempo em Nashville/Tennessee.
Você também já morou na Espanha, certo?
Heli- Sim. Como administradora de escola de idiomas, eu tive a oportunidade de morar durante um ano em Madri, entre 1998 e 1999, quando aprendi a fazer as famosas paellas e sangrias. Na Espanha eu consegui entender porque minha mãe, filha de espanhóis, tinha a personalidade tão forte, era por influência da cultura de seus antepassados.
JC- O que ficou dessa temporada fora do Brasil?
Heli- Foi um ano de muitas viagens pela Europa. Na Espanha, eu adorava os restaurantes, bares e as cidadezinhas ao redor de Madri, mas tinha horror às touradas, apesar de ter consciência de que fazem parte da cultura espanhola. Aquela foi uma época de muito crescimento, em todos os sentidos. Viajar é sempre muito bom, já estive em ao menos uma dezena de países, e conhecer novas culturas e aproveitar as peculiaridades de cada uma é enriquecedor. Agora, quando o avião pousa em solo brasileiro, a sensação de estar em casa é muito boa. Vivendo fora, a gente cresce e passa a dar mais valor ao nosso país.
JC- Como aconteceu a mudança de nome das escolas que deixaram de fazer parte da franquia Yázigi para se tornarem a American Corner?
Heli- Esta foi mais uma conquista, fruto da maturidade profissional. A possibilidade de trabalhar com mais liberdade de escolha, de trazer materiais compatíveis com a nova geração, de treinar novamente a equipe para o novo desafio é animador e motivador. Na verdade, chega um momento na vida em que queremos mais é trabalhar com prazer, com liberdade de escolhas, com mais tempo para fazer o que gostamos e do jeito que acreditamos ser o melhor. Tenho muito respeito pelo Marco e por toda a nossa equipe de experientes profissionais. Esses 28 anos de existência nos dão o respaldo para criar uma marca própria.
JC- Vocês pretendem expandir a franquia?
Heli- Isso faz parte de um plano futuro, sim. Para 2013, o momento é de formatação da franquia.
JC- Você é uma mulher religiosa?
Heli - Acredito em Deus, no poder da oração e da fé e em milagres.
JC- E você já viveu um milagre?
Heli- Eu considero o nascimento do meu filho, Estevão, um milagre em minha vida, porque eu já tinha passado dos 40 anos quando ele nasceu. Sabe quando o seu time faz um gol nos acréscimos? Foi isso (risos). Eu sou casada há nove anos com o Edson e considero o meu enteado, Thiago, como outro filho. Mas o Estevão foi um verdadeiro divisor de águas na minha vida.
JC- Por que você diz isso?
Heli- Confesso que no início eu até saí um pouco de órbita. Antes, tudo girava em torno do trabalho e suas demandas, minhas escolhas eram baseadas em custo e benefício. Com a vinda dele eu aprendi a desacelerar, delegar mais, sentar para brincar, contar histórias, entrar nas fantasias dele, fazer novos amigos, conviver mais com crianças... Às vezes até digo que ele é meu remédio, minha terapia (risos). Coloco boa parte da minha energia no meu trabalho porque também considero as escolas minhas filhas.
JC- E sobra tempo para um hobby?
Heli- Com a vinda do Estevão, eu iniciei uma horta e um pomar em casa, cuido deles quando chego do trabalho e também aos finais de semana. Mexer com a terra, acertar o seu ponto para ter verduras bonitas é uma verdadeira terapia, um contraponto interessante. Meses atrás, Estevão, meu pai e eu pegamos algumas vagens já secas das árvores de acácias da avenida Nações Unidas, tiramos as sementes e plantamos inúmeras delas, que brotaram, cresceram e hoje estão plantadas na frente de casa. Ah, não posso esquecer da Lola, minha cachorrinha. Ela tem cinco anos e faz parte da família. Quando estou em casa, ela me acompanha o tempo todo, dorme ao meu lado, pede carinho, dá carinho...
JC- Um desafio pessoal.
Heli- Educar meu filho, encaminhá-lo na busca da independência sadia, cuidando para não depositar nele todas as minhas expectativas, afinal, como todo ser humano, ele tem a sua missão.
JC- Imagino que a American Corner deva ser o seu desafio profissional para 2013...
Heli- Sim, o meu novo desafio profissional é a criação dessa nova franquia que, na verdade, já está pronta para ser instalada em Bauru. Acompanhar de perto todo o processo de desenvolvimento da nova marca para que o produto final receba uma “nota 10” é minha meta para o próximo ano.
Perfil
Nome: Heli Cioccia Reis
Local de Nascimento: Lins
Signo: Leão
Marido: Edson Roberto Reis
Filhos: Estevão e Thiago (enteado)
Hobby: Cultivar uma horta e um pomar
Livro de cabeceira: “O Monge e o Executivo”, de James Hunter; “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, e a Bíblia
Filme preferido: Todos com Jack Nicholson, como “Alguém tem que ceder”, “O Iluminado” e “Estranho no Ninho”
Estilo musical predileto: Eclético
Time: Corinthians
Para quem dá nota 10: Para meus pais, que me educaram, amaram-me de forma incondicional e me apoiaram nas muitas escolhas que fiz até hoje
Para quem dá nota 0: Para quem não trata bem crianças, idosos e animais
E-mail: heli.cioccia@gmail.com
