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Inflação deve ficar acima da meta

Agências
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São Paulo - O balanço entre as pressões e os alívios inflacionários esperados para 2013, no saldo líquido, deve ser desfavorável para os preços, o que explica a discrepância entre o cenário do Banco Central e aquele com o qual trabalha a maioria do mercado financeiro. Analistas consultados pela Agência Estado veem com ceticismo a expectativa da autoridade monetária de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2013 abaixo de 5%, e praticamente descartam a possibilidade da convergência para o centro da meta de 4,5%, ainda que em trajetória “não linear”, no curto prazo.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na última quinta-feira (20), o Banco Central reduziu sua estimativa para o indicador no cenário de referência, de 4,9% para 4,8%, enquanto no cenário de mercado, a previsão fez o caminho contrário, ao passar de 4,8% para 4,9%. Contudo, as estimativas presentes no RTI não incorporam o reajuste nos preços dos combustíveis já confirmado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, - ainda que não se saiba de quanto. E, adicionalmente, contam com o cumprimento da meta cheia do superávit primário de 3,1%, o que parece cada vez menos factível.

Além da esperada “indisciplina fiscal” e do aumento dos preços dos combustíveis, a política monetária terá outros desafios, como por exemplo o também já confirmado reajuste nos preços da tarifas de ônibus em algumas cidades, inclusive São Paulo, no início do ano que vem. Embora não deva atrapalhar muito mais, o câmbio tampouco deverá contribuir para a contenção da inflação.

 

Energia alivia

Do lado dos alívios, a anunciada redução na tarifa de energia e as desonerações tributárias não parecem ser suficientes para equilibrar tais pressões, que deverão testar a disposição do BC de manter a Selic no atual patamar de 7,25% ao ano por um período suficientemente prolongado.

O estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno, está pessimista e acredita ser pouco provável que o Banco Central cumpra o seu cronograma para o IPCA em 2013. Segundo ele, para que o cenário de inflação traçado pelo BC se confirme, o crescimento econômico no ano que vem teria de ser “tão ruim” quanto será o de 2012. Segundo ele, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 1,00% neste ano e 3,50% em 2013.

Pelas estimativas de Rostagno, o Brasil deve entrar o novo ano com uma inflação pressionada, a ponto de o índice já poder atingir o teto da meta, de 6,50%, na passagem do primeiro para o segundo trimestre. “E deve ficar nesse patamar até quase o final do terceiro trimestre. Devemos ter um período bastante pressionado, o que deve fazer com que o BC comece a revisar suas previsões para inflação. Pode chegar num momento onde deverá ser colocada à prova seu compromisso com o sistema de metas de inflação e o BC terá de subir juros”, avaliou ele, que prevê uma alta de 5,90% para o IPCA no fim de 2013.

O economista explica que, além da sua expectativa de mudança do viés do cenário internacional de desinflacionário para moderadamente inflacionário, há questões internas que deverão influenciar a inflação do ano que vem. “Tem os fatores domésticos: mercado de trabalho apertado, consumo em alta, estímulos no âmbito fiscal e no crédito, além do monetário. Todos apontando para uma mesma direção”, afirmou.

Rostagno avalia que o abrandamento esperado com a desoneração nos preços da energia elétrica para o consumidor em 2013 deverá girar em torno de 0,45 ponto porcentual, enquanto o impacto previsto do aumento dos combustíveis poderá ser de 0,30 a 0,40 ponto.

“Se de um lado tem a expectativa de queda na tarifa de energia, por outro, há preços que já estão sendo contratados para aumentar em 2013, que deverão neutralizar o benefício. Tem ainda o cenário externo que não deve ser mais desinflacionário. Tem também a inflação de serviços que já é alta”, completou.

 

Preços livres e serviços

Na mesma linha, a economista-chefe da Icap, Inês Filipa, vê a resistência de dois grupos de preços como o principal entrave à desaceleração da inflação. “Por mais que tenha um cenário externo favorável e reajuste salariais menores, há dois grupos de inflação que seguram o índice geral acima de 5%: os preços livres e de serviços que estão rodando acima de 8%”, disse Inês.

“Nos nossos cenários não conseguimos ver a taxa abaixo de 5% no próximo ano. Estou trabalhando com taxa de 5,38%, mas há um viés de alta e vou revisar”, afirmou a economista, que deve retornar à sua estimativa anterior ao anúncio da redução nos preços da energia, de 5,72%.

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