Cairo - O presidente do Egito, Mohamed Mursi, assegurou ontem que o referendo sobre a nova Constituição foi transparente e que, depois de sua aprovação, abre-se “uma fase de estabilidade e desenvolvimento” no país.
Em um discurso transmitido ao vivo pela televisão egípcia, Mursi enfatizou que o plebiscito contou com uma supervisão judicial completa, apesar das denúncias da oposição de que a votação foi marcada pela fraude.
Ele pediu que todas as lideranças políticas dialoguem para resolver as contínuas tensões, e prometeu tomar as medidas necessárias para sanar a economia.
Em seu primeiro discurso desde o referendo sobre a nova Carta, ele disse que esta considerando mudanças em seu gabinete e que planeja introduzir incentivos para fazer o Egito um destina mais atraente para investimentos.
“Os próximos dias vão testemunhar, se Deus quiser, o lançamento de novos projetos (...) e um pacote de incentivos para que investidores sustentem o mercado e a economia do Egito”, disse Mursi.
O Conselho Shura, a Câmara Alta, dominada por muçulmanos, ganhou novos poderes com a promulgação da nova Carta. O órgão vai funcionar até uma nova eleição para a Câmara Baixa ser realizada daqui a dois meses.
Uma das leis a serem propostas pelo governo envolve a recuperação do dinheiro que teria sido roubado por funcionários ligados ao ditador derrubado Hosni Mubarak. Segundo o ministro encarregado de assuntos parlamentares, Mohamed Mahsoub, os projetos devem ser enviados na semana que vem, quando os parlamentares se reúnem novamente.
A oposição, que acusa a Constituição de abrir caminho para uma islamização crescente da lei e de oferecer poucas garantias para certas liberdades, reiterou que continuará a buscar a invalidação do referendo, marcado por fraudes e irregularidades, segundo ela.
“A Constituição egípcia não é válida porque entra em conflito com determinadas normas (...) do direito internacional, tais como a liberdade de religião e de expressão”, considerou Mohamed ElBaradei, diretor da principal coalizão de oposição, a Frente de Salvação Nacional (FSN).
Reação
Os Estados Unidos pediram anteontem que Mursi coloque “um fim às divisões” e “amplie o apoio ao processo político”.
Washington reconheceu que “muitos egípcios expressaram sua profunda preocupação com o conteúdo da Constituição”. “A Constituição egípcia não é válida porque entra em conflito com determinadas normas (...) do direito internacional.