Política

Prefeitura ocupará prédios ferroviários

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Neide Carlos

Cerca de 30 mil metros de galpões da antiga NOB serão usados pela Prefeitura de Bauru

São cerca de 30 mil metros de área construída que carregam grande carga do patrimônio histórico, cultural e afetivo de Bauru. Construídos na década de 1920, os barracões da antiga Rede Ferroviária Federal, ou Noroeste do Brasil (NOB) para os mais saudosos, completamente abandonados desde meados da década de 1990, já têm nova destinação. Junto à concessionária América Latina Logística (ALL), a Prefeitura de Bauru conseguiu a permissão de uso desses imensos galpões, instalados bem próximos ao Centro da cidade. A novidade é que, em parte, eles voltarão a funcionar através de uma empresa privada, como oficinas para manutenção e recuperação de vagões e trilhos de trens.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) vai em janeiro a Curitiba, sede da ALL, acertar as últimas formalidades da transação, que tem validade inicial de 15 anos. O município deve utilizar 20 mil metros das construções para abrigar o primeiro Museu do Trem do País, unidades educacionais de formação técnica e tecnológica, escolas de arte, incubadoras e centros administrativos da estrutura pública municipal. “É um caminho para a gente se livrar desse monte de alugueis espalhados pela cidade”, explica Rodrigo.

Por outro lado, uma das destinações do complexo será a ocupação de aproximadamente 10 mil metros quadrados pela empresa bauruense Transportes e Serviços Ferroviários S.A. (Transfesa), que atua no ramo há 17 anos.

“Somos a empresa dos ferroviários da Malha Oeste, que era a Noroeste. Somos uma empresa de Bauru e é assim que somos conhecidos”, diz o acionista e fundador da Transfesa, engenheiro Luiz Antonio Sola.

Ele conta que, por falta de espaço, a empresa atua em São Paulo. A Transfesa faz a revisão geral de locomotivas. “A gente desmonta tudo e refaz. Fizemos isso por dez anos para a empresa MRS, mas usávamos a oficina deles e só podíamos fazer isso para eles. Já chegamos, até mesmo, a construir duas locomotivas para transitar na CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos]”.

De acordo com Sola, funcionando nos galpões até então sem destinação, a empresa terá novos clientes. “Por não termos onde atuar, já perdemos dois grandes negócios internacionais”, relata.


Especialistas

O empresário pretende dar início aos trabalhos ainda em 2013, com a contratação imediata de, pelo menos, 50 trabalhadores. Essa, aliás, é a principal vantagem, segundo Sola, da instalação de oficinas da Transfesa em Bauru. “Vocês não imaginam o quanto de especialistas em locomotiva que estão nessa cidade, por termos sido um grande centro ferroviário”, pontua.


Na busca

O prefeito diz que, desde o início de seu mandato, vislumbrava esse projeto e procurou diversas empresas interessadas em montar fábricas de trens no Brasil. “Quando surgiu o Sola, eu já falei que a prioridade era deles. Eles são de Bauru e não teria por que ser diferente”.

Agostinho diz que, com a conquista deste patrimônio, a cidade dá início à revitalização do do Centro da cidade. “É um conjunto de ações: neste ano, vamos licitar a reforma da estação ferroviária, tem 800 apartamentos para saírem e a conclusão do viaduto naquela região”, comenta.


Afeto

Corresponsável pela recuperação do papel de um dos bens da cidade de Bauru, o engenheiro Luiz Antonio Sola lembra que trabalhou na ferrovia entre 1975 e 1996, quando se aposentou. “Nós criamos a Tranfesa para tentar cuidar disso tudo, para não acontecer o mesmo do que houve com a Noroeste: cair nas mãos de investidores estrangeiros, que não tem relação afetiva com esse patrimônio. Quando houve o leilão, não conseguimos parceiros para o investimento”, relata. Sola conta, porém, que muitos de seus companheiros agora estão empolgados com a novidade. “Alguns chegam a chorar...”.


Barracões precisam de recuperação ampla

Quem entra pela primeira vez em um dos galpões onde funcionavam grandes oficinas ferroviárias se deslumbra com o tamanho e a beleza quase nostálgica desses imóveis. Apesar do grande valor histórico, esses barracões estão completamente deteriorados, abandonados e demandam grandes investimentos para sua recuperação. A Transfesa vai se responsabilizar pela reforma dos espaços que irá ocupar. Como os imóveis estão em processo de tombamento, as características originais serão preservadas, segundo o engenheiro Luiz Antonio Sola.

Já o prefeito Rodrigo Agostinho diz que o caminho para a recuperação dos barracões destinados à administração municipal será feita por etapas. “O jeito será fazer aos poucos, conforma for possível”.

Ele conta ainda que a recuperação da Estação Paulista, de menor porte, se dará já no início de 2012. No local, vai funcionar um museu.

Já na grande estação está prevista a instalação das estruturas das secretarias municipais de Educação e Saúde. O prédio foi comprado pelo prefeito por R$ 6 milhões. “Queria já ter feito isso, mas precisamos elaborar o projeto e só agora ele foi aprovado pelo Conselho do Patrimônio Histórico”, justifica.


De olho aberto

Luiz Antonio Sola ressalta que uma das prioridades imediatas da empresa será o reforço da segurança nesses barracões. Segundo ele, atualmente, apenas dois homens são responsáveis por vigiar uma grande área. “Precisamos de pelo menos seis, vinte e quatro horas por dia”.

 

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