Política

Rodrigo avalia passado e projeta 2013

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 9 min

Na véspera do primeiro dia de seu segundo mandato, o Jornal da Cidade traz uma entrevista com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Fenômeno de votos no último pleito municipal, ele foi reeleito com 82% de apoio da população.

Jovem e dinâmico, admite não gostar muito de política, preferindo responsabilizar pessoas próximas pelas articulações partidárias.

Rodrigo garante que não tem um projeto político pessoal definido, conta como se preparou para realizar o sonho de ser prefeito e confirma o casamento com Dani Modolo para 2013.

Falar da vida pessoal, no entanto, não deixa o prefeito muito à vontade. “Isso acontece com todo mundo”, ressalva.

Ele prefere mostrar que conhece a estrutura da administração pública e acredita que, ao longo dos quatro anos, amadureceu pessoalmente, mas não tecnicamente, por avaliar que já conhecia a máquina.

Seu arrependimento? Algumas pessoas...

 

Governo

Qual a avaliação do seu desempenho pessoal à frente da Prefeitura de Bauru nesses quatro primeiros anos?

Eu acho que dei conta do recado. Nem tudo o que eu tinha de sonho consegui fazer, mas implantei algumas ações que eu considerava estratégicas. Uma delas é a valorização do servidor público. Antes, tinha dificuldade de contratar porque não aparecia ninguém para concursos. Conseguimos recuperar a autoestima de quem já trabalhava e trazer pessoas para os setores em que havia déficit. Outra coisa que ninguém acreditava que a prefeitura poderia voltar a fazer eram as obras. Isso não acontecia há muito tempo. Eu me sinto realizado, apesar de não ter feito tudo o que eu queria.

 

Essas obras foram sua principal vitrine?

Eu sei que uma parcela da população votou em mim porque estava contente comigo. Outra parte votou porque ainda espera que eu faça. Nós fizemos mil quadras de asfalto, mas ainda tem outras mil para fazer. Algumas pessoas não sentiram os benefícios do governo na prática. Precisam que tenha o asfalto na frente da casa delas. Elas acreditaram que nós vamos fazer no segundo governo.

 

O que precisa mudar?

A gente ainda tem muita troca de papel. A rotina do papel é muito intensa. Informatizamos a Educação no começo do governo e só agora estamos sentido os resultados. Na Saúde, colocamos as torres, temos os computadores e, agora, colocamos o software, mas vamos ter que fazer com que as pessoas utilizem o sistema, com que o médico entre lá, preencha os dados. Conseguimos implantar sistema para controlar quem entra e sai dos prédios da prefeitura. Isso não existia. A pessoa pega um processo importante, coloca em baixo do braço e some. Desaparece a história completa de um determinado assunto que, às vezes, é importante. A prefeitura precisa ser mais. Não dá, por exemplo, para ter um vigia em cada canto da cidade. Tem que utilizar a tecnologia disponível.

 

No seu dia-a-dia como prefeito, o que você achou que pudesse fazer e viu que não era bem assim?

Não tive esse deslumbramento. Eu já conhecia a prefeitura. Meu primeiro emprego formal foi como estagiário lá. Depois, fui vereador, secretário, então sabia dos meus limites. É claro que, às vezes, a gente fica decepcionado com os prazos, mas não dessa prefeitura, e sim do poder público em geral. Conseguir recursos do governo do Estado, por exemplo, leva tempo. Isso me deixa ansioso.

 

Popularidade

 

Durante a campanha eleitoral, seu governo passou por grandes crises, como da falta de água, do transporte público e da Saúde. Você concorda com a avaliação de que sua figura se tornou maior do que sua administração?

Não sei. O que posso dizer é que as pessoas reconheceram também o que está sendo feito. Logo no começo do governo, estourou a operação Odontoma, que expôs as fragilidades do Hospital de Base. Enfrentei uma crise que não era minha. As pessoas chegavam ao Pronto-Socorro e não conseguiam vagas para internação. Por outro lado, nunca se investiu tanto em Saúde. Fizemos as UPAs e a população percebia que alguma coisa estava sendo feita.  O DAE perfurou sete poços esse ano. Nunca investiu tanto. No Bauru 16, as pessoas estavam sem água, mas viam o poço sendo perfurado. A questão do ônibus era alheia à prefeitura, mas, mesmo assim, eu corri atrás. Elas conseguiam sentir que a cidade enfrentava crises, mas o prefeito estava trabalhando. Acredito que isso tenha sido mais importante do que minha popularidade.

 

Perfil

Como você lida com o rótulo de centralizador?

Centralizador foi uma expressão que eu mesmo usei. Mas acredito que a avaliação das pessoas que trabalham comigo é de que eu não seja. Acontece que eu gosto das coisas bem feitas. O plano de governo é do meu governo. Então vou cobrar dos secretários cumprirem o que está ali. Para isso, eu sou muito exigente. Dou bronca nos secretários. Se alguma coisa acontecer de errado, sou eu o responsável. Então eu autorizo todas as despesas, nada fica parado na minha mesa, mas quero saber de tudo o que está acontecendo. Mas também deixo os secretários à vontade para produzir, fazer coisa nova.

 

Você sente a necessidade de estar perto para garantir que as coisas vão dar certo?

Eu prefiro. Sei que a imprensa e a sociedade vão ser implacáveis comigo. E foram. Encaro bem as críticas, mas se alguém faz coisas erradas, sobra para mim. Não só para os secretários.

 

E essa história de bronca nos secretários?

É bom dar uma puxada de orelha. Procuro ser muito franco. Digo também onde errei, o que não me agradou. Mas, é claro, sempre com muita educação. Tenho que mostrar quando há alguma falha.

 

Houve algum preparo especial para reagir tão bem às críticas? 

A Câmara me ajudou muito nisso. Foi uma escola fantástica. Peguei fase difícil no primeiro mandato, com cassações e troca de prefeitos. Os vereadores eram extremamente críticos. Hoje, levo com tranquilidade. Às vezes, vou para casa chateado, achando que alguma crítica é injusta. Mas quem está na vida pública, tem que encarar que todos os problemas da cidade são problemas seus. E eu tenho o dever de tentar corrigir.

 

Câmara Municipal

 

E a sua relação com a Câmara Municipal? 

Consegui aprovar quase todos os projetos que enviei. Me arrependo de não ter brigado mais pela negociação da dívida da Cohab. Não é verdade que não fui atrás da solução, mas nem todo mundo entendeu a proposta no primeiro momento. Hoje entendem que deveria ter sido aprovado porque dívida aumentou em RF$ 50 milhões.

 

Sua base reclamou, muitas vezes, de não ser informada com antecedência sobre alguns projetos e ser bombardeada de críticas, sem ter argumentos para defesa. Isso dá para mudar?

Quando eu era vereador, também só sabia dos projetos quando a Câmara recebia. Acho complicado avisar antes. Aqueles que são contrários já começam a se movimentar para que processo nem chegue ao Legislativo. Alguns momentos exigem posturas mais duras e os parlamentares não se sentiam confortáveis para votar. Tem assunto que nunca entrou na pauta, como a revisão da planta genérica, que é importantíssima. Esse projeto modifica uma série de tributações. Os valores venais dos imóveis da cidade inteira estão defasados há anos. Então eu prefiro manter essa conduta. Eu tenho meu momento de montar o projeto e Câmara tem o dela para discutir e votar.

 

Política

Você demonstra não ter paciência para discussões e articulações político-partidárias...

Eu gosto muito do que eu faço, da rotina da prefeitura. E eu acho que tive sempre a sorte de encontrar pessoas que gostam mais da parte política, propriamente dita. No começo, eu tinha o Alex Gasparini e, agora, eu tenho o Renato Purini, que assumiu a presidência do partido e gosta mais de conduzir essas questões. Então, eu fico mais à vontade para tocar o dia-a-dia da prefeitura. Não é fácil em um País com mais de 30 partidos atender a todos. Entre levar a prefeitura e o partido, prefiro o primeiro. E foi para isso que eu fui eleito.

 

Você tem mentores políticos?

Eu tive pessoas que me ajudaram. A primeira pessoa que me colocou na política, por incrível que pareça, foi o (Clodoaldo) Gazzetta, meu adversário nessa eleição. Ele me lançou candidato a vereador pela primeira vez, talvez em um momento em que eu não estivesse preparado para isso. Ainda adolescente, trabalhei na campanha de alguns políticos, como o Fábio Feldman, que também era da área ambiental. Já no período em que eu era vereador, a Marina Silva foi ministra do presidente Lula. Ajudei bastante e me espelhei muito nela. A Marina foi um grande exemplo. Tem também muita gente que me ajudou no dia-a-dia, me apontando caminhos.

 

Evolução

Você foi eleito prefeito aos 30 anos. Em quais pontos você amadureceu ao longo desses quatro anos?

Do ponto de vista técnico, eu não amadureci. Já conhecia a estrutura. Mas aprendia a não fazer as coisas com muita pressa: parar e respirar. No começo, tinha muita ansiedade. Acho que nem sempre tomava a melhor decisão. Hoje prefiro pensar, mesmo que, às vezes, eu receba críticas por isso, como acontece com a indefinição do secretariado. O amadurecimento serviu muito para que eu pudesse fazer as coisas com mais cautela. No começo, tinha a vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. Agora, tenho mais paciência para sentar, ouvir e dialogar. Eu batia muito a cabeça na parede.

 

Do que você sente arrependimento?

Talvez confiado demais em algumas pessoas. Na administração pública, mesmo querendo acompanhar tudo, a gente tem que confiar. É importante vigiar sempre. Eu me arrependo de muitas pessoas talvez. A administração erra o tempo todo, mas a gente precisa saber lidar com os erros. Nós também cometemos injustiças. É difícil atender a todos, mas tem que começar por algum lugar. É duro criar critérios objetivos para tudo. Às vezes, para dar cargo para alguém, tem que tirar de outra pessoa. Vivenciamos algumas crises. Em alguns momentos, acho que até pequei pelo excesso de transparência. A imprensa sabia de tudo o que estava acontecendo o tempo todo.

 

Futuro

Qual o projeto para seu futuro político?

Meu projeto é ficar trabalhando por quatro anos na prefeitura. Depois, eu não sei.


Quando sobra um tempo, você não para e faz planos desse tipo?

Não faço isso. As coisas sempre fluíram com naturalidade para mim.

 

Você sempre teve o desejo de ser prefeito?

Não. Mas quando eu passei a sonhar, comecei a me preparar.

 

Vida pessoal

O casamento deve sair em 2013?

Tudo leva a crer que sim. É uma expectativa pessoal para o próximo ano.

 

Planos para herdeiros?

Eu quero, sim, ter filhos. É importante ter projetos pessoais. Tenho meus hobbies. Tenho minha vida pessoal, que é apertadinha, mas está em um tamanho bom.

 

Quais são seus hobbies?

No início do governo eu engordei, então,  comecei a correr. Vou para a São Silvestre, em São Paulo, pela terceira vez.


Mas tem as orquídeas também...

Cuido das minhas orquídeas, que ficam na chácara da minha avó. É uma família que cresceu bastante. Não sei dizer quantas são, mas o cuidado é diário. Faço isso ou muito cedo ou à noite, quando tenho tempo livre. Tem que replantar, adubar, tirar as pragas. É uma diversão, embora seja mais fácil cuidar de cachorro. Hoje, minhas orquídeas estão muito bonitas. Elas florem uma vez por ano. Me especializei nas espécies ameaçadas de extinção. Tento reproduzi-las em um mini laboratório. Procuro também ir para o cinema e gosto de cozinhar.

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