Cultura

A Folia está chegando!

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr

Antônio Correia arrecada alimentos para a festa em Bauru, no dia 6 deste mês

As melodias tiradas da viola de “seo” Antônio Correia dão o tom para o cortejo realizado tradicionalmente todo dia 6 de janeiro, em Bauru, quando se comemora mais uma festividade de Folia de Reis. O evento conta, a cada ano, com muita cantoria, reza e um almoço aberto à comunidade. A manifestação integra parte do ciclo natalino - entre 24 de dezembro a 6 de janeiro.

O festejo do Dia de Reis tem como intuito manter viva a tradição, que lembra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Na cidade, a “folia” alcança sua 12ª edição e é realizada todos os anos pelo Grupo Folia de Reis de Bauru.

Logo pela manhã de domingo inicia-se um trajeto, a partir das 8h, que parte da rua São Sebastião (esquina com avenida Pinheiro Machado) e segue até a Paróquia Santa Clara de Assis. Durante o cortejo, a folia folclórica e religiosa passa pelas casas entoando versos que fazem referência ao nascimento do menino Jesus, verdadeiras “poesias cantadas”.

Os instrumentos utilizados durante a caminhada são, além da viola, o violão, a sanfona, o reco-reco, o chocalho, o cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contramestre, três Reis Magos, palhaço e foliões - trajam roupas coloridas. A bandeira dos Santos Reis acompanha toda a “procissão”, assim como famílias inteiras.

Muitos dos participantes aparecem com seus terços enrolados nos punhos. Dançam, cantam e se emocionam com cânticos improvisados por “seo” Antônio, que relatam o nascimento de Jesus e a visita dos Reis Magos. “Os versos são inventados na hora, é o que vem na cabeça”, diz Antônio.

Natural de São Paulo, o mestre da “folia” se orgulha ao falar sobre a festividade. Em Bauru, o Grupo que coordena é um dos únicos remanescentes do Interior do Estado. Com 73 anos, ele conta que há 60 participa e organiza eventos de Folia de Reis. “Tive influências dos meus tios e restante da família”, salienta. Além de Antônio, participam do Grupo outras oito pessoas, algumas familiares do coordenador.

 

  • Serviço

Para colaborar com doações de alimentos, basta entrar em contato com o Grupo Folia de Reis de Bauru pelos telefones (14) 3218-1567 e (14) 9116-9846


Almoço precisa de donativos

O tradicional e gratuito almoço também faz parte da celebração. Encerrado o cortejo, os participantes se reúnem na casa de “seo” Antônio Correia para prestigiar um belo cardápio. O almoço será realizado na quadra 1-60 da rua Marcelo Mariuzzo, Núcleo Bauru 16, por volta do meio-dia. O cardápio contará com macarronada, farofa, frango e refrigerante. São esperadas pelo menos 300 pessoas. Para poder servir a todos, o Grupo Folia de Reis está em fase de arrecadação dos alimentos necessários. “Estamos precisando de macarrão, refrigerante, frango e farofa para poder realizar o almoço”, pede Antônio. 


Fé em alta

O Dia de Reis é comemorado em todos os cantos do Brasil. Na tradição cristã, este foi o dia em que os três Reis Magos - Belquior, Baltazar e Gaspar - levaram presentes a Jesus Cristo. Segundo Antônio Correia, a data ainda é propícia para fazer novas promessas e pedir proteção para o ano que inicia. “Aproveitamos a data para rezar bastante e pedir muitas graças, pedir a Deus pelo fim da violência...”, enfatiza.


Origens portuguesas

De origem portuguesa, a Folia de Reis é um festejo ligado às comemorações do culto católico do Natal. Fixado o nascimento de Jesus Cristo em 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro.

Sabe-se que a tradição da “Folia de Reis” chegou ao Brasil por intermédio dos portugueses, ainda no período da colonização. Hoje, o festejo mistura-se com manifestações folclóricas de muitas regiões do País. Essa manifestação cultural era realizada em toda a Península Ibérica e era comum a ocorrência de doação e recebimento de presentes enquanto eram entoados cantos e danças nas residências da época. Baseado nessa argumentação, a Folia de Reis teria vindo ao Brasil no século XVI, próximo ao ano de 1534, trazido pelos jesuítas, e servindo como um instrumento na catequização dos índios e, posteriormente, dos negros escravos.

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