Ainda há aqueles que acreditam que, no Brasil, o ano começa somente após o carnaval. Já foi o tempo em que isso tinha um fundo de verdade.
Do ponto de vista econômico e financeiro, os fatos falam por si. Vamos segmentar a análise: primeiramente vamos considerar os compromissos financeiros das famílias. Se o ano começasse após o carnaval, ninguém teria nada a pagar neste mês. A realidade é bem outra. Os gastos de dezembro começam a vencer agora em janeiro. Cartão de crédito, cheques pré-datados e parcela do crediário são alguns exemplos. Também tem aquele encontro indesejado com o IPVA, sem falar da matrícula escolar, bem como a compra de material escolar, entre outros. Haja recursos. Responda: neste quesito o ano começa depois do carnaval? Evidentemente que não, ou melhor, já começou a todo vapor.
Vamos analisar do ponto de vista empresarial. O orçamento de 2013 já está sendo executado. Os salários vencem no quinto dia útil. Os fornecedores do ano passado querem receber o valor devido. Já imaginou adiar as decisões estratégicas para depois do carnaval? Nenhuma empresa com senso profissional perde um trimestre do ano apostando que o mercado tem tempo para esperar. A gestão do fluxo de caixa é imediata. A operacionalização das decisões já tomadas também deve ser cumprida.
Na verdade o que se observa é que alguns executivos preferem sair em férias neste período. E muitos ligam essas férias ao calendário do carnaval ou até mesmo em função de o carnaval se apresentar como uma extensão das férias. O fato é que o mercado está a todo vapor. Não há mais espaço para esperas. O consumidor terá um comportamento mais comedido, mas continuará com apetite para compras, notadamente aproveitando as liquidações. As empresas buscarão fechar seus negócios, cumprindo o orçado e exigindo de seus executivos resultados.
Fica evidente que é preciso quebrar este paradigma de o ano começar após o carnaval e implementar um ritmo adequado a realidade deste mercado moderno. Considerando que no mundo dos negócios não é o maior que engole o menor e sim o mais rápido que ultrapassa o mais lento, quem se acomodar agora, poderá ficar para trás. E, cá entre nós: no mundo dos negócios não é tarefa nada fácil recuperar o tempo perdido, principalmente em se tratando de vendas. Se alguém não entrou no ritmo e ainda está meio sonolento, lembre-se que a roda está girando e com ela os negócios fluindo. Vamos à luta, o ano já começou, acredite!
O autor, Reinaldo Cafeo, é presidente da Acib, diretor regional do Corecon e articulista do JC