Internacional

ONU rejeita proposta de Assad

Agências
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Nova York - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse desapontado ontem com a rejeição do presidente sírio, Bashar Assad, aos diálogos de paz para pôr um fim à guerra civil que assola o país há quase dois anos.

O discurso feito por Assad no último domingo propõe uma conferência de reconciliação entre seu governo e “aqueles que não traíram a Síria”. A oposição rejeitou a proposta, dizendo que esta objetiva destruir os esforços diplomáticos para acabar com a guerra civil.

Ban acusou o discurso de Assad de “não contribuir com uma solução que poderia pôr fim ao terrível sofrimento do povo sírio”, segundo nota lida pelo porta-voz da ONU, Martin Nesirky. “O discurso rejeitou o elemento mais importante da reunião (da ONU) de Genebra de 30 de junho de 2012, a saber, uma transição política e o estabelecimento de um governo de transição com poderes executivos soberanos que incluíssem representantes de todos os sírios”, prosseguiu o porta-voz.

O documento final da reunião de Genebra acabou sendo vetado por Rússia e China.


Irã apoia

O Irã saudou o discurso do presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmando que ele rejeitou a violência e ofereceu “um processo político amplo” para encerrar o conflito em seu país, disse a mídia iraniana ontem.

O discurso televisionado de Assad, no domingo, foi considerado um novo plano de paz, mas o presidente não ofereceu concessões e minimizou a possibilidade de negociação com os grupos de oposição sírios, que descreveram a atitude do presidente como uma nova declaração de guerra.

O Irã tem declarado apoio firme a Assad desde o início da revolta para derrubá-lo do poder, há quase dois anos, e o considera parte importante da oposição a Israel. O Irã descreve vários grupos de oposição da Síria como terroristas apoiados pelo Ocidente e por países árabes.

“Esse plano rejeita a violência, o terrorismo e qualquer intervenção estrangeira no país, e destaca um futuro para o país... através de um processo político amplo”, disse o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, em comunicado publicado pela agência estatal de notícias Irna.

Salehi pediu que as potências mundiais e regionais apoiem as tentativas de acabar com a crise através de uma “solução síria”.


Papa quer fim da guerra

O papa Bento XVI pediu ontem que a comunidade internacional acabe com o que ele chamou de interminável carnificina na Síria, antes que o país inteiro se torne um “campo de ruínas”.

O papa fez o apelo em termos particularmente fortes durante o discurso anual “O Estado do Mundo” para diplomatas autorizados junto ao Vaticano.

Ele disse que a Síria, onde a ONU estima que mais de 60 mil pessoas foram mortas, foi “despedaçada pela interminável carnificina e é palco de terrível sofrimento para a população civil”.

Bento XVI pediu o “fim de um conflito que não conhecerá vitoriosos, mas apenas derrotados, caso continue, deixando para trás nada mais que um campo de ruínas”.

O papa pediu que diplomatas de quase 180 países e organizações mundiais pressionem seus governos a fazerem tudo que for possível a fim de enfrentar esta “grave situação humanitária”.

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