Ricardo Ursulino/Divulgação |
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O manancial sofre com contaminação por graxa e fósforo |
O manancial da bacia do Água Parada, considerado estratégico para ser a alternativa de água de superfície para consumo humano (a nova ETA), sofre com contaminação por graxa e fósforo. O alerta está no diagnóstico ambiental elaborado depois de mais de dois anos de estudo realizado pela empresa Ecossistema, de Curitiba (PR), no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APP) do Água Parada.
Segundo o estudo, dos seis pontos de coleta de água sob influência do Água Parada, a partir da região onde estão as penitenciárias e a rodovia Marechal Rondon, na direção de Tibiriçá e Avaí, em cinco deles a contaminação atinge níveis acima do desejado. O secretário Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves, adverte que a contaminação exige trabalho específico da Prefeitura de Bauru junto a órgãos ambientais em razão da jurisdição sobre esses problemas.
“A identificação dos focos de contaminação tanto por coliformes quanto por óleo e graxa vão exigir não só a atuação junto a órgãos como o Ibama, o DAEE e a Polícia Ambiental, que têm competência para atuar nesses casos, como de ação do município na busca da preservação do Água Parada. Todos sabem do esgotamento da capacidade da ETA, na região do Ouro Verde. E o Água Parada é nossa única reserva para abastecer a população e a cidade naquela região com água de superfície”, aborda Gonçalves.
Para o secretário, a contaminação por graxa pode ser concentrada, mas não menos preocupante. “O caso da graxa tem ligação no estudo com posto de combustível. A licença para funcionamento é dos órgãos estaduais. Vamos atuar para corrigir essa situação. Agora, os demais focos identificam alta concentração de fósforo, com origem tanto em pastagens, com gado consumindo a água de córregos afluentes, como da presença de esgoto in natura fruto da ocupação humana, seja das penitenciárias concentradas nessa região seja de moradias como algumas chácaras”, menciona.
DAE e prefeito
O diretor de Serviços de Tratamento de Águas Superficiais do DAE Bauru, Olavo Severino Neto, argumenta que a autarquia mantém coleta semestral e análise da qualidade da água em um dos pontos citados, na ponte do Rio Verde. “Neste ponto permanente de monitoramento, os laudos laboratoriais não apresentam presença de fósforo e graxa. A presença desses contaminantes nesses outros pontos precisa ser investigada para proteger o Água Parada a partir de seus afluentes”, comenta.
Olavo considera que o problema da graxa e de óleo precisa ser corrigido de forma urgente e pontual, por ser um único foco. “Tem de ter gradeamento de areia para reter esse material, que não pode ser despejado no córrego”, aborda.
Para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a importância do Água Parada como futuro manancial exige inspeção rápida do que está exposto no relatório. Mas ele acredita que a parte de despejo doméstico nos córregos já esteve resolvida. “Essas coletas estão em um estudo de mais de dois anos contratado pela prefeitura. Depois disso, entrou em operação a nova Estação de Tratamento de Tibiriçá e a Estação do Gasparini. Então, o que é esgoto doméstico já não terá tanto influência em novas análises. O problema da pecuária e de esgoto vindo de população carcerária precisam ser ajustados”, argumenta.
Química liga contaminantes a esgoto doméstico, pastagens e combustível
A diretora de Serviços de Tratamento de Esgoto do DAE, Giselda Passos Giafferis, formada em química, comenta que a presença de fósforo no diagnóstico ambiental do Água Parada está ligada a efluentes penitenciários, loteamento e pastagens que existem na região.
A presença de aglomeração de moradores em área rural em forma de loteamento , como nas chácaras Santa Maria e Barra Grande, também deve ser analisada. “As técnicas impróprias de uso do solo, com uso de pesticidas em agricultura carreados com a chuva e o uso dos ribeirões por gado, associado à presença de loteamentos e população carcerária são características dessa região. Temos nesse contexto dos contaminantes o esgoto doméstico, pastagens e combustível, no caso do óleo ou graxa”, analisa.
Na opinião da química, a graxa é o elemento mais preocupante. “Não é solúvel na água e é o pior desses contaminantes, o mais crítico. Tem de retirar o que está lá e conter o despejo irregular imediatamente. Retirar esse material com água e tratar com microorganismo tem um custo bastante elevado. Tem de acionar os órgãos ambientais e rapidamente agir na investigação de posto de combustível nessa área. Isso envolve a ação de vários órgãos, da Semma, da Cetesb, da Polícia Ambiental, do Ibama e até do Ministério Público do Meio
Ambiente que pode unificar as ações em relação a todas as frentes”, avalia Passos.
O diagnóstico ambiental
Segundo o estudo da Ecossistema, seis pontos foram avaliados com coleta de material dos corpos d´água na região do Água Parada.
O córrego Pau D’Alho tem “alto número de coliformes termotolerantes, demonstrando reflexo de efluentes sanitários sem tratamento prévio provenientes de loteamentos e área rural com agricultura”.
O ribeirão do Corumbá tem “presença de fósforo total acima do permitido na área do Distrito Industrial III e da Estação de Tratamento de Esgoto da Colônia Penal (antigo IPA)”.
O ribeirão do Guabirova apresenta “descarta de efluentes sanitários sem tratamento na localidade onde encontram-se as estações de tratamento das penitenciárias Bauru I e II, além do aterro sanitário”.
O ribeirão Barra Grande tem “alterado nível de coliformes, além de óleos e graxas, com predominância de área agrícola, comunidades de moradores e um posto de combustível”.
O Água Parada recebe os córregos “Pau D’Alho, Corumbá, Guabirova e Rio Verde, tendo “altos resultados de fósforo total. A região possui amplas áreas de pastagem, agricultura e pecuária”.
O córrego Rio Verde tem relação com uma comunidade rural mas na “jusante do ponto de coleta, onde a amostragem não apresenta interferências possíveis”.
