Regional

Repasse à Santa Casa terá redução

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem, durante reunião com representantes da Santa Casa, a prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru) sinalizou com a possibilidade de diminuir o valor do repasse à entidade para a manutenção do atendimento nos prontos-socorros adulto e infantil. Paralelamente, o município anunciou que irá investir na rede básica de saúde. A Santa Casa já adiantou que terá de se adequar e realizar cortes no número de consultas, priorizando os serviços de real urgência e emergência.

O diretor clínico da Santa Casa, Luiz Alfredo Teixeira Junior, explica que, em atendimento a uma liminar concedida pela Justiça – que já está sendo questionada pelo setor Jurídico do Executivo –, a prefeitura continuará repassando à entidade R$ 640 mil. “A prefeitura e a Santa Casa estão entrando em entendimento para fazer uma nova proposta de diminuir um pouquinho o fluxo de atendimento”, revela. “Provavelmente, vai se diminuir o fluxo e diminuir o valor (do repasse)”.

Os termos dessa readequação nos serviços ainda estão sendo avaliados e dependem do resultado de uma reunião com o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), agendada para dia 18. Porém, segundo o diretor, a meta é de que as consultas sejam reduzidas em dois terços. “Com base no conjunto de tudo é que nós vamos tomar uma decisão”, diz. “Nós estamos fazendo mais de 12 mil consultas por mês e temos que fazer em torno de 4 mil. Então, vai ter de baixar por volta disso”.

De acordo com Teixeira Junior, os pacientes que não apresentarem quadro de urgência ou emergência deverão procurar a rede básica de saúde. “Os pacientes vão ter que ir para a rede básica. A prefeitura vai ter que se reestruturar”, declara. A realização de uma ‘triagem’ pelo PS antes das consultas foi descartada por ele em um primeiro momento. “Por enquanto, isso não vai acontecer, mas mais pra frente vai. O paciente vai ser encaminhado para o posto onde haja consulta”, afirma.


Reestruturação

O secretário de Saúde de Jaú, Gilson Scatimburgo, confirma a redução no repasse. “Hoje, é impossível mantermos o valor que está em vigor, que é o repasse de R$ 640 mil por mês, muito menos o valor que o hospital pediu de R$ 850 mil”, diz. “Nós vamos cumprir a determinação judicial, pagar os R$ 640 mil. Porém, nós vamos, juntamente com o hospital, definir novos fluxos de atendimento para ver qual é o papel do município de fortalecimento do sistema de saúde para tentar diminuir a demanda de atendimentos da Santa Casa”.

Essa reestruturação na rede municipal de saúde, segundo o secretário, vai privilegiar dois pontos principais. “Primeiro, temos que fazer o fortalecimento da atenção básica de saúde. Também vamos ver a necessidade de fortalecer o sistema com serviços de pronto-atendimento, como já era feito anteriormente”, explica. “Nós temos unidades básicas de saúde em grandes bairros que contam com atendimento médico de clínico geral às 7 horas e, depois, não têm nenhum outro tipo de atendimento”.

De acordo com o titular da pasta de Saúde, o município conta com recursos federais para a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no jardim Bernardi, o que também deverá desafogar o PS da Santa Casa. “Tem todo processo de licitação, início de obra, conclusão de obra, equipamento. É uma coisa, pelo menos, para daqui um ano e meio a dois anos. É uma obra grande”, revela.

Assim como o diretor clínico da Santa Casa, Scatimburgo não descarta a possibilidade de que algum paciente fique sem atendimento. “Pode ocorrer em qualquer sistema. Até no melhor pronto-socorro da cidade, do Estado e do país isso pode acontecer. Logicamente, vai ter que ser adotado um sistema por classificação de risco e o que não é urgente vai ficar para depois. Não adianta reclamar que vai ficar para depois mesmo”, declara. “O que nós vamos fazer é um trabalho grande de conscientização da população e divulgação”.

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