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Obama anuncia controle de armas


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Jason Reed/Reuters

Observado por Biden e crianças que escreveram sobre a violência, Obama assina pacote

Washington - Diante de pais de vítimas do massacre em uma escola em Newtown e de crianças que enviaram cartas à Casa Branca pedindo segurança, o presidente Barack Obama anunciou ontem, em discurso com forte apelo emocional, um pacote de medidas para conter a violência relacionada às armas de fogo.

A grande expectativa criada sobre o plano do presidente, no entanto, esmoreceu diante dos 23 decretos de pouco impacto real - assinados na sequência do discurso e que já entram logo em vigor.

As propostas mais importantes, como obrigar a consulta de antecedentes para qualquer venda de armas, proibir armas com “características militares” - como mira telescópica -, e limitar a capacidade das armas a dez cartuchos (tiros), terão de passar pelo aval de um dividido Congresso.

De qualquer forma, o pacote foi apresentado como a iniciativa de controle de armas mais importante no país em décadas.

Diante da dificuldade que irá enfrentar no Congresso, Obama conclamou por diversas vezes os americanos a pressionar os parlamentares.

“As mudanças mais importantes que podemos fazer dependem da ação do Congresso. Eles precisam levar essas propostas a votação, e o povo americano precisa assegurar que eles façam isso”, disse.

Entre as medidas que precisam do Congresso estão ainda a aprovação uma nova lei de tráfico de armas - com penas mais duras a quem facilitar que criminosos tenham acesso a armas.

Obama pediu ainda US$ 10 milhões para que o Centro de Controle de Doenças desenvolva pesquisas sobre a relação entre videogames, imagens na mídia e a violência.

Menos polêmica

Os 23 decretos assinados por Obama, a cinco dias da posse para seu segundo mandato, não tratam dos temas mais polêmicos no debate sobre o controle de armas.

Entre as medidas que passam a valer sem a aprovação do Congresso estão novas regras para disponibilizar no sistema federal dados de antecedentes de compradores de armas e a orientação a profissionais de saúde de que podem relatar às autoridades ameaças de violência feitas por pacientes.

As propostas têm por base as discussões realizadas por grupos de trabalho criados a partir do massacre em Newtown, em dezembro passado, no qual morreram 20 crianças, e liderados pelo vice, Joe Biden.

Obama apelou ao “senso comum” de que é preciso checar os antecedentes de compradores de uma arma. Hoje, a checagem é regra, mas há exceções para feiras de armas, onde 40% são adquiridas.

“A grande maioria dos americanos concorda sobre a necessidade de consulta aos antecedentes - incluindo mais de 70% dos membros da Associação Nacional do Rifle (NRA, lobby pró-armas).” A associação criticou as propostas. “São os proprietários de armas honestos que serão afetados”, disse em nota.


Lobby usa filhas de presidente em propaganda

Horas antes de o presidente Barack Obama anunciar suas propostas de controle de armas, a (associação nacional de rifle (NRA) divulgou uma propaganda televisiva sobre o assunto.

No anúncio de 35 segundos, exibido pela internet e pela TV a cabo, um narrador pergunta aos espectadores se “os filhos do presidente são mais importantes do que os seus”, uma vez que as filhas de Obama são protegidas por homens armados.

A Casa Branca condenou a propaganda, classificando o anúncio como “repugnante” e “covarde”. “A maior parte dos americanos concorda que os filhos de um presidente não devem ser usados como peões na disputa política”, afirmou o porta-voz Jay Carney.

A NRA, que diz reunir 4 milhões de membros, também anunciou que irá produzir um programa televisivo apresentado por Cam Edwards, defensor do direito ao porte de armas.

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