Nas poucas oportunidades que assisti, sempre fiquei impressionado como as pessoas conseguem "meter os pés pelas mãos" nesse programa. Nessa edição, a primeira eliminada foi a participante Aline, mulher, negra, moradora de uma comunidade carente do Rio de Janeiro. Como ela mesma disse, uma representante da periferia. E o que seria um passo à frente dos demais, já que a grande audiência do programa vem da periferia, se transforma em 77% de rejeição do público no paredão. Uma oportunidade de mostrar que o morador de periferia tem fibra, inteligência, argumento e empatia jogada fora.
O que se viu foi barraco, ofensa, desrespeito, como se isso fosse o resumo de um morador de periferia. Uma pessoa que acha que respeito tem que ser imposto com gritos e palavrões, e esquece que respeito se conquista com atitudes. Desculpe-me, mas eu, como morador de periferia, nem de longe fui representado por essa moça.
Haroldo S. Silva