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Apae detalha pontos sobre licitação

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma situação tem tirado o sono da diretoria da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru em pleno início da jornada de 2013. Após a publicação de um aviso de licitação no dia 15 de janeiro, em que a unidade anuncia um pregão presencial para a compra de equipamentos eletrônicos, três sócios contribuintes entraram em contato com a entidade para cancelar suas contribuições mensais, alegando que a compra seria contraditória às dificuldades financeiras alegadas pela associação nos últimos anos.

“O que as pessoas não sabem é que não podemos, de modo algum, utilizar esse dinheiro, que é oriundo de uma emenda federal, para pagar outras despesas que não seja a compra de equipamentos especificamente para o Projeto Janela para o Mundo. Essa é uma verba carimbada”, esclarece Olga Bicudo Tognozzi, presidente da Apae Bauru. “Estamos aflitos. Tememos que as pessoas entendam a licitação como um gasto da entidade e parem de contribuir. Pelo contrário, é uma doação direcionada e tudo o que não for usado para esse fim deve ser devolvido ao governo”, reforça.


O projeto

Computadores, lousa interativa, projetor multimídia, impressoras a laser coloridas, ar condicionado, armários, cadeiras, mesas, print server, estabilizador e quadro branco. O anúncio sobre o pregão presencial, publicado em jornais no dia 15 de janeiro, específica os produtos que devem ser adquiridos para o projeto de inclusão digital da entidade denominado Janela para o Mundo, que funcionará em um laboratório de informática da instituição.

O projeto em questão, segundo explica a presidente da entidade junto à equipe, atende a uma emenda orçamentária para implantação e elaboração de projetos de inclusão digital, de iniciativa do deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB-SP).

Ao todo, a entidade tem direito a uma verba de R$ 50 mil para investir nos equipamentos que serão utilizados na atividade. O que não for usado para a aquisição dos bens deve ser devolvido ao governo federal, que também exige a prestação de contas relacionando os itens comprados.


Faz diferença

Apesar do número de colaboradores que cancelaram a contribuição de cerca de R$ 20,00 ser pequeno, apenas três, a presidente da Apae explica que se sente no dever de prestar satisfações para que a situação não cresça e gere um efeito em cadeia. “Qualquer centavo faz a diferença para nós. Temos o dever de dar satisfação para a população, afinal, a sobrevivência desta entidade depende das contribuições”, ressalta Olga Bicudo.


Sem apoio do Estado, dívida alcança R$ 440 mil

Atualmente, a dívida da entidade alcança R$ 440 mil, após a suspensão do convênio com o Estado para realizar o teste do pezinho em recém-nascidos.

Desde dezembro, quando o convênio com o governo estadual foi interrompido – e só retornará em março –, a unidade arca com mais R$ 75 mil ao mês para o pagamento de funcionários, além dos R$ 65 mil já gastos com serviços de manutenção da escola e do setor administrativo.

Somados, os gastos geram um déficit mensal de quase R$ 140 mil para a unidade, que já não possui lucros e depende estritamente de contribuições da população e de ações sociais para sobreviver.

Cerca de 2 mil usuários dependem da Apae atualmente, que possui um quadro de 257 funcionários. “Ao longo desses 37 anos, esse é um dos piores períodos que a Apae já enfrentou, mas tenho fé em Deus e na população de que a entidade conseguirá seguir em frente”, finaliza Olga Bicudo.


 

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