Bairros

Mães temem fechamento de creche

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Auxiliar de creche e a representante das mães das crianças atendidas, Andreia Mansano: preocupação com o futuro

Apreensivo com a possibilidade de Bauru perder 110 vagas de educação infantil integral, um grupo formado por funcionários e mães se mobilizou, ontem pela manhã, às portas da Creche-Berçário Antônio Pereira, localizada na quadra 13 da rua Castro Alves, na Vila Souto. A entidade conveniada à administração municipal não realizou o pagamento dos salários referentes ao mês de dezembro e acumula uma dívida de R$ 16 mil com a prefeitura, que deu prazo até o dia 31 de janeiro para a regularização da situação.

Caso contrário, o repasse de verbas relativo ao próximo mês será suspenso e a entidade, que atende crianças de 0 a 6 anos em tempo integral, correrá risco de fechar as portas. Se o pior acontecer, agravará a disputa por vagas de ensino infantil integral que, até maio do ano passado, contava com 600 crianças em lista de espera. Atualmente, a Secretaria Municipal de Educação ainda contabiliza o déficit desse tipo de vaga, segundo informou a assessoria de imprensa da prefeitura.

O órgão informa apenas que a educação infantil, incluindo vagas parciais e integrais, acolhe 2.200 crianças na cidade, sem especificar quantas permanecem nas instituições o dia todo. Por conta do déficit, muitas famílias recorrem à Justiça para garantir vagas, conforme o JC apresentou em matérias anteriores.

“Era para termos recebido o salário no 5º dia útil e até agora nada. As cestas básicas de janeiro e dezembro também não foram depositadas. As contas de água e luz também estão atrasadas. Queremos saber onde está ou com o que foi gasto o dinheiro repassado pela prefeitura”, protesta a auxiliar de creche Rafaela de Aguiar, 23 anos, acompanhada de outras funcionárias da unidade.


Esclarecimento

Ainda de acordo com ela, ao ser questionado por telefone quanto à situação, o presidente da entidade em questão, Francisco Antônio de Paula, teria desconversado. “O presidente é um homem de boa índole, mas queremos saber o que ocorreu. Corremos o risco de cancelamento do convênio e de fechar as portas se esse dinheiro não for devolvido”, reforça Rafaela, frisando que, além da dívida e do atraso, a entidade também deixou de recolher o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o INSS.

A auxiliar de creche ainda explicou que, em contato com o sindicato da categoria, foi orientada a esperar pela regularização dos salários no prazo de três meses. Caso o problema não seja resolvido, os serviços poderão ser paralisados parcialmente.

A creche possui um quadro de 17 funcionários entre auxiliares, professoras, secretária e faxineiras e atende 110 crianças de todo o bairro. Apesar das dificuldades financeiras da entidade, não foram constatados problemas com a alimentação das crianças, que é fornecida pela prefeitura.


Apreensão

Representante das mães dos alunos, Andreia Aparecida Mansano, 42 anos, compareceu à mobilização e, em conversa com a reportagem, relatou a apreensão frente à situação.

“O atendimento aqui é ótimo, não queremos que a creche feche, até porque não tem nenhuma próxima e dependemos dela para trabalhar. Conversei com várias mães. Elas estão assustadas e com medo de que isso aconteça”, conta.

“A creche é um direito das crianças. Os funcionários estão sem passe para trabalhar e enfrentando dificuldades financeiras. Se não resolverem isso, eles irão parar e isso trará problemas para nós”, completa outra mãe que preferiu não se identificar.


Repasses foram feitos normalmente

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que o repasse de verba do convênio com a Creche Antonio Pereira referente aos meses de dezembro de 2012 e janeiro de 2013 foi realizado normalmente. Em 2012, foram pagas 12 parcelas de R$ 18.165,09 para a creche. Já o repasse deste ano é no valor mensal de R$ 21.453,27, cuja primeira parcela foi paga no dia 9 de janeiro.

Ainda segundo a secretaria, a dívida da creche é no valor de R$ 16 mil, referente a valores não utilizados no ano de 2012. “Desse valor foram devolvidos ao cofre público aproximadamente R$ 5 mil. A diretoria da creche tem até o dia 31 de janeiro para regularizar a situação para que não haja suspensão do repasse de verba”, informa o comunicado oficial.


Empréstimo

Questionado quanto aos atrasos e à dívida, o presidente da entidade, Francisco Antônio de Paula, informou que a confusão se deve ao processo de transição da diretoria da creche. “Estou acertando a situação. Eu fiz um empréstimo para pagar a prefeitura. Até amanhã (hoje), isso estará resolvido. Estou em processo de transição, deixando a presidência da creche, por isso, não tive acesso à conta na qual a prefeitura depositou o repasse de janeiro, por isso, os salários atrasaram e deu essa confusão toda”, disse o presidente da instituição, que não quis comentar os motivos que levaram a creche a acumular a dívida.

Comentários

Comentários