Bairros

Dengue: Número elevado de casos preocupa moradores

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O número elevado de casos de dengue registrados em Bauru apenas no primeiro mês do ano preocupa moradores da cidade, em especial os da zona sudoeste, a região mais atingida até o momento. Moradora da rua Sueli Gomes Franca, na Vila Ipiranga, a aposentada Rose Bueno, 62 anos, demonstra preocupação em manter o quintal de casa sempre limpo.

O problema é que é obrigada a conviver, diariamente, com o entulho e lixo depositado em um terreno localizado em frente à sua residência. “De madrugada, o pessoal joga de tudo. Fora o mato alto, tem sofá, resto de comida, embalagens, sacolas e até gavetas de armário. Tudo que, nessa época de chuva, dá para acumular água”, reclama.

Dentro de casa, ela diz tomar todos os cuidados para exterminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, já que ela própria sofreu as consequências da doença quando foi infectada pelo vírus da dengue, há cerca de dois anos. “Morro de medo de ficar doente de novo, porque sei como é difícil. Fiquei 15 dias em repouso. Minha casa já era limpa, mas paguei pela irresponsabilidade dos outros”, lamenta.

O exemplo é seguido pela dona de casa Maria de Lourdes Alonso, 43 anos, que mora há 23 anos em uma casa da rua José Bueno de Camargo Sobrinho, no Jardim Ouro Verde. Há poucos dias, um parente próximo apresentou os sintomas da doença, que, por sorte, acabou não sendo confirmada.

“Ficamos todos muito preocupados. Tinha vasos de planta em pratinhos, mas tirei tudo e plantei no meu canteiro. Também tomo muito cuidado com o quintal, que está sempre limpo. Faço a minha parte”, diz ela, que, assim como Rose, também está cercada por terrenos baldios mal conservados, que acumulam recipientes plásticos, entulho e móveis velhos com grande potencial de se transformarem em criadouros da dengue.


Sem explicação

Não há uma explicação precisa para justificar o elevado número de casos de dengue registrados no primeiro mês de 2013. De acordo com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, Heloísa Lombardi, historicamente, a doença apresenta anos de menor atividade e, na sequência, picos de infestação.

“O aumento é diretamente relacionado ao maior acesso aos criadouros, maior quantidade de chuvas, entre outros fatores. Mas não há como saber os motivos específicos”, frisa.

Períodos de calor e de alta incidência de chuva, como o mês de janeiro, são propícios para a reprodução do inseto, que procria em água parada. “O calor favorece, mas, atualmente, a infestação e a circulação do vírus ocorrem o ano todo, embora em menor número”, pontua Heloísa.

As últimas epidemias foram registradas em 2007 e 2011, com 2.064 e 4.366 casos, respectivamente. Em 2011, seis pessoas morreram por dengue hemorrágica, forma mais grave da doença.

No final do ano passado, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo já alertava que Bauru estaria entre as cidades com maior vulnerabilidade para a transmissão da dengue durante este verão. Em mais de 200 municípios paulistas com mais de com mais de 60 mil habitantes, Bauru era o terceiro do ranking, atrás apenas do Guarujá e Araçatuba. O estudo foi feito pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da secretaria em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).

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