João Rosan |
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Droga foi apreendida em duas residências no Núcleo Octávio Rasi |
Uma jovem tranquila e que quase nem saía de casa. Era assim que amigos e vizinhos enxergavam Beatriz Samara Franco, 20 anos. O que ninguém sabia é que a garota, que mora com a família no Núcleo Octávio Rasi, escondia um quilo de cocaína pura. Ontem, ela foi presa pela Polícia Civil. A 100 metros dali, a casa de Miguel Barbosa dos Santos Júnior, 32 anos, também foi vistoriada. Ele não estava, porém foram apreendidos outros cinco quilos da mesma droga e 3,5 quilos de maconha.
A operação foi deflagrada ontem, por volta das 14h, após cerca de dois meses de investigação. Simultaneamente, duas equipes da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas de Beatriz e Miguel.
Na residência da jovem, que fica na quadra 1 da rua Ângelo Miele, foi localizado cerca de um quilo de cocaína. Beatriz, que estava no local, foi presa em flagrante.
A 100 metros dali, policiais entraram na casa de Miguel, localizada na quadra 1 da rua João Scarço. Ele não estava no imóvel, mas foram localizados outros cinco quilos de cocaína e mais 3,5 quilos de maconha. Também havia dezenas de embalagens para a comercialização da cocaína.
“Algo que vale ressaltar é que a droga estava embalada de maneira idêntica nas duas casas. Então, sabemos que se trata do mesmo produto”, explica o titular da Dise, Ricardo Dias.
Beatriz Franco foi conduzida à delegacia especializada, onde teria confessado que realmente guardava a droga. Segundo o que ela disse aos policiais, recebia cerca de R$ 250,00 por cada encomenda.
Na frente da Dise, a mãe da jovem, bastante abalada, não quis conversar com a reportagem do JC. Entretanto, de acordo com a polícia e vizinhos, a família sequer suspeitava da atitude da moça, que vive com a mãe, um avô e uma irmã de 16 anos.
Beatriz Franco foi encaminhada ainda ontem para a Cadeia Pública de Pirajuí. Já Miguel Barbosa dos Santos Júnior, funcionário de uma farmácia, é considerado foragido. “O Miguel tem uma característica importante: ele é albino”, complementa Ricardo Dias.
Organização
De acordo com o delegado, tanto Beatriz quanto Miguel fazem parte de uma organização criminosa com abrangência em Bauru e região. “Pelo volume apreendido, pode-se dizer que se trata de uma organização de tráfico de médio para grande porte”.
Ele explica que ambos são o que a polícia chama de “garantes”. Ou seja, eles apenas guardam o entorpecente. “O traficante faz isso para nunca ser pego com a droga. Eles seriam de uma escala bem baixa na hierarquia da organização. Por isso, nossas investigações continuam”.
Contudo, mesmo de escala baixa, Beatriz Franco foi autuada em flagrante por tráfico e associação. A pena para o primeiro crime varia entre 5 a 15 anos de reclusão e, para o segundo, entre três e 10 anos.
‘P’ de pura
Na cocaína apreendida, era possível ver a marcação “P”. Segundo o titular da Dise, Ricardo Dias, significa “pura”. “Cada quilo desta droga pode ser vendido por R$ 10 mil. Isso porque está pura. Ao misturar, multiplicamos esse valor por três. Então, no varejo, o produto todo poderia ser vendido até por R$ 180 mil”.
O entorpecente puro, do jeito que foi localizado, é chamado de “escama de peixe”. Além da cocaína, havia ainda 3,5 quilos de maconha.
‘O tráfico recruta pessoas acima de qualquer suspeita’
Beatriz Franco era uma garota tranquila, que deixou os estudos há pouco tempo e não trabalhava. Miguel dos Santos Júnior era funcionário de uma farmácia. Ver pessoas com esse perfil envolvidas no tráfico de drogas surpreende a sociedade e até os policiais.
“É algo surpreendente, mas mostra como os tentáculos do tráfico não têm limites. Eles entram em todos os níveis sociais”, aponta Ricardo Dias.
O titular da Dise, entretanto, vê uma explicação para tal fato. Segundo ele, é justamente para dificultar o trabalho da polícia. “Nós analisamos o tráfico. Porém, o tráfico também analisa a polícia. Então, ele recruta pessoas que estão acima de qualquer suspeita”, finaliza.
