Polícia

Salão de beleza esconde prática do jogo do bicho

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Quem entrava no salão de beleza na quadra 21 da rua Venceslau Braz, na Vila Industrial, não saía de lá mais bonito. É que, apesar da promessa de cortes unissex e outros tratamentos estéticos, o imóvel tinha uma função bem diferente. De acordo com a Polícia Civil, o salão era apenas a fachada para mais uma banca de jogo do bicho em Bauru. Aliás, uma banca bem conhecida dos policiais.

A ação, que faz parte de uma operação contínua iniciada no ano passado, foi deflagrada ontem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Estávamos monitorando o local há três dias e, ao verificar a movimentação, percebemos que o salão de beleza era uma fachada”, afirma o titular da unidade especializada, Kleber Granja.

No imóvel funcionava, na verdade, a banca Falcão. O mais impressionante é que, há apenas nove dias, a mesma banca de jogo do bicho havia sido desmantelada. “Em uma ação na semana passada, nós já havíamos desmontado esta mesma banca na Vila Falcão. E, no ano passado, também. Então, já é a terceira vez em um ano”, conta Granja.

Na apreensão de ontem, a DIG encontrou R$ 714,00 em dinheiro, grande quantidade de material de escritório, muitas anotações de apostas, celulares e aparelhos eletrônicos como televisor, rádio e ventiladores. Foram apreendidos ainda dois veículos: um Renault Clio e uma motocicleta Titan 150. “Eram veículos utilizados na prática e, por isso, ficarão apreendidos”.

Além do material, havia também seis pessoas na banca: M.L.P.M., 55 anos; N.R.F., 43 anos; R.C., 46 anos; F.C., 40 anos; A.A.R.S.J., 31 anos; e M.R.C., 33 anos, identificada como a proprietária. Todos foram encaminhados para a delegacia, assinaram termo circunstanciado (TC) e foram liberados.

O jogo do bicho se encaixa no artigo 51 da Lei de Contravenções Penais. A condenação é prisão de quatro meses a um ano, mais multa. Exatamente por não se tratar de um crime propriamente dito, a polícia não divulgou os nomes completos dos envolvidos.


Migrando

Em cada uma das três vezes em que a banca Falcão foi alvo das ações policiais, ela estava montada em um local diferente. O titular da DIG explica que essa é uma constante nesse tipo de infração. “Eles abrem em um local. A polícia descobre e lacra. Depois, eles arrumam um novo imóvel para se estabelecer”.

Entretanto, a fachada de salão de beleza chamou a atenção dos policiais. “Geralmente, eles usam uma casa no fundo de um terreno. Reparamos que as instalações de hoje (ontem) eram mais precárias. Deve ser porque não tiveram tempo de se recuperar do golpe que demos na semana passada”, finaliza Kleber Granja.


200%

A ação policial de ontem é a terceira da Polícia Civil em Bauru somente neste ano. Trata-se de uma operação contínua e uma diretriz do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter-4)

“No ano passado, tivemos resultados muito positivos. A quantidade de apreensões cresceu mais de 200% em relação a 2011. E vamos manter isso este ano”, promete o titular da DIG, Kleber Granja.


Delegado espera punição rigorosa

Em todas as apreensões referentes ao jogo do bicho, a reclamação principal da Polícia Civil é referente à falta de punição. Como é considerado um crime de menor potencial ofensivo, os envolvidos dificilmente recebem mais do que um termo circunstanciado. Porém, para o delegado Kleber Granja, começou a surgir uma esperança de mudança.

Ele explica que a pessoa só é presa quando se associa o jogo do bicho a outros crimes. O grupo desmantelado hoje (ontem) é um dos raros exemplos dessa associação em Bauru. “Há uma ação penal por formação de quadrilha em andamento. É referente à apreensão que fizemos em 2012. Vejo realmente uma luz no fim do túnel”, aponta o titular da DIG.

Além de comemorar o indiciamento considerado, por ele, atípico, Kleber Granja revela que irá enviar o relatório da ocorrência de ontem para ser anexado na ação penal em andamento. O fato pode complicar a situação dos réus.

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