O vazamento no flange da adutora logo no início da captação bruta de água do sistema da Estação de Tratamento (ETA), no rio Batalha, exigiu conserto por equipe do Departamento de Água e Esgoto (DAE) ontem. O componente que tem a função exatamente de vedar a tubulação por compressão não funcionou. Até ontem à noite, a autarquia tentava liberar a adutora. A umidade e a lama foram os entraves para a conclusão do serviço.
O problema, que foi detectado por volta do meio dia de ontem, pode até não gerar deficiência no abastecimento nos bairros atendidos pela ETA, que responde por 38% da demanda por água na cidade. Isso dependia, até ontem à noite, da substituição do componente.
“Apareceu vazamento no flange, mas a adutora não rompeu, o que tornou a operação menos complicada. Ainda assim, uma adutora teve de ser fechada para a intervenção. A outra parte continuou funcionando”, contou o diretor de Produção do DAE, Igor Fournier.
O sistema ETA capta água bruta do rio Batalha por intermédio de duas adutoras de 24 polegadas. Foi a quinta ocorrência na mesa adutora em quatro meses, sendo quatro rompimentos nos registros anteriores.
Podem ser afetados pela ocorrência cerca de 70 mil moradores dos bairros Terra Branca, Vila Independência, Vila Falcão, Jardim Ouro Verde, Jardim Aeroporto, Jardim América, Jardim Estoril, Altos da Cidade, Centro, Vila Cardia, Santa Cândida, Vila Dutra, Vila Industrial, Vila Universitária e Jardim Bela Vista. Desde setembro do ano passado, esta é a quarta vez que a mesma adutora, de 24 polegadas, se rompe.
A última ocorrência foi registrada no sábado do dia 12 de janeiro passado, em um trecho de ferro fundido. Equipes de manutenção do Departamento de Água e Esgoto (DAE) trabalharam até a madrugada para efetuar o reparo na ocasião.
Porém, assim que as bombas foram religadas, na manhã do domingo do dia 13 de janeiro, a pressão da água acabou rompendo a tubulação em outro ponto, num trecho de fibra de vidro, bem próximo ao que apresentou o mesmo problema no dia 1º de janeiro. Ainda em setembro do ano passado, quando um ponto da mesma fibra de vidro rompeu, o DAE prometeu trocar os 250 metros do tubo. Até agora isso não foi feito.
O DAE reiterou que fará a substituição do trecho mais vulnerável da adutora que leva água bruta do Rio Batalha para a ETA. A aquisição de uma tubulação nova, de cerca de 250 metros de comprimento, feita em ferro dúctil, está orçada em cerca de R$ 250 mil. Mas a expectativa é de que as obras possam começar em cerca de 90 dias.
Caso ocorra desabastecimento, o DAE informa que disponibilizará caminhão-pipa através do telefone 0800 77 101 95, obedecendo a ordem de prioridade e cronologia das solicitações.
O que é flange
É um elemento que une dois componentes de um sistema de tubulações, permitindo ser desmontado sem operações destrutivas.
Os flanges são montados em pares e geralmente unidos por parafusos, mantendo a superfície de contato entre dois elementos sob força de compressão para vedar a conexão.
Bairro nobre sem água
Não é só a periferia que está sujeita à falta de água em Bauru. Bairros considerados nobres também são alvo do problema de abastecimento, como acontece com o Jardim Europa.
É o caso da aposentada Eliana Silva do Nascimento, 63 anos, moradora há 22 anos na quadra 18 da avenida Getúlio Vargas. Ela diz que o desabastecimento é constante e, só nesta semana, ficou dois dias sem água da rua. “Ontem (anteontem) e hoje (ontem) não havia uma só gota da água da rua. Por sorte tenho caixa grande e economizo bastante, senão estaria sem. Aqui sempre faltou água”, reclamou.
A assessoria de imprensa do DAE confirma que este problema está ligado ao vazamento na junta da adutora de 24 polegadas, localizada na captação de água do rio Batalha, conforme acima. De acordo com a Divisão de Produção de Água do DAE, o restabelecimento normal do abastecimento nos bairros deverá ocorrer nas próximas 48 horas.