Economia & Negócios

Longe do desemprego


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Com uma taxa de desemprego recorde de 26% os espanhóis ampliaram a procura por trabalho no Brasil e o número de currículos de interessados em trabalhar no País cresceu 412,2%, se comparados os meses de novembro de 2011 e de 2012. Já os portugueses enfrentam uma taxa de desemprego menor, em torno de 16%, mas são eles que receberam mais vistos de estrangeiros com mão de obra qualificada para o Brasil de janeiro a setembro de 2012. Os espanhóis ficaram em segundo lugar.

De acordo com levantamento da Câmara Espanhola de Comércio, 251 currículos foram recebidos em novembro, ante 49 no mesmo mês de 2011. Em média, 130 currículos chegam por mês à Câmara, que no ano passado firmou uma parceria com um site de emprego para recebê-los.

Segundo María Luisa Castelo Marín, diretora executiva da Câmara Espanhola de Comércio, além da taxa de desemprego alta na Espanha, a falta de mão de obra especializada no Brasil em alguns setores, principalmente infraestrutura, justifica o aumento na procura por emprego. “Energias renováveis, como a eólica, e o setor de transporte são setores muito procurados”, disse María Luisa.

O Brasil tem de cerca de 60 mil espanhóis com visto de trabalho e 100 mil residentes. Mas o número de trabalhadores espanhóis poderia ser maior, na avaliação da executiva. “Para a empresa contratar um espanhol, precisa justificar o motivo de não contratar um brasileiro para o mesmo posto”, explicou.

Para tentar agilizar a liberação de vistos, a Câmara Espanhola de Comércio e a embaixada espanhola no Brasil encaminharam, em novembro, uma proposta ao governo brasileiro. Entre os pontos, o documento prevê que o período e a proposta do visto sejam específicos para o cargo e para o período determinado do emprego, com o de uma obra para um engenheiro, por exemplo.


Engenharia

Os engenheiros, segundo María Luisa, são os que mais enfrentam dificuldade para exercer a profissão no Brasil, diante da falta de reconhecimento do diploma aqui. “Não existe um acordo bilateral de reconhecimento e de homologação de título universitários, o que leva um engenheiro espanhol a demorar até três anos para conseguir um registro profissional”, explicou.

Além dos espanhóis, os portugueses também reclamam da burocracia para o trabalho de engenheiros aqui. Durante recente seminário em São Paulo, ministro de Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, criticou o fato de os Conselhos Regionais de Engenharia (CREAs) não reconhecerem os diplomas de engenheiros portugueses no exercício da profissão no Brasil.

Para Portas, apesar de o governo brasileiro ter criado um grupo de trabalho para que as universidades federais possam, no futuro, reconhecer esses diplomas, o protecionismo da categoria ainda segue. “Vocês precisam muito mais de engenheiros do que formam. É um protecionismo burro e não é justo que os portugueses não possam exercer a profissão no Brasil”, afirmou à época. Assim como a Espanha, o país tem uma das mais altas taxas de desemprego da zona do euro, com 16,3%, segundo os números de outubro.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta, no entanto, que o número de estrangeiros com carteira assinada nas áreas de engenharia, produção e construção segue estável em termos absolutos e até recuou relativamente sobre o total de empregados dos setores no País. Os dados apontam que o número desses empregados estrangeiros nunca ultrapassou os 3 800, ao menos no período analisado, de 2003 a 2009, e que o porcentual sobre o total, inicialmente em 1,37%, recuou para 0,87%.

“Se realmente o Brasil enfrenta algum gargalo de mão de obra qualificada, a estrangeira não seria uma solução estrutural, pois tem uma participação pequena absoluta e relativa”, disse o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Rafael Moraes Pereira. Na avaliação dele, em alguns setores, como o de petróleo e gás, a presença estrangeira pode ajudar a qualificar a mão de obra brasileira. “A impressão que tenho é de que o estrangeiro não rouba uma vaga do brasileiro, mas, ao contrário, gera benefícios e supre um gargalo eventual”, completou.

Levantamento trimestral do Ministério do Trabalho aponta que os espanhóis e portugueses lideraram, nos nove meses deste ano, a concessão de vistos para empregados com mão de obra qualificada no Brasil. Os portugueses obtiveram 630 vistos entre janeiro e setembro de 2012, alta de 91% sobre igual período de 2011, e os espanhóis conseguiram 343 vistos, volume 50% superior. Os vistos são concedidos pelo Ministério das Relações Exteriores.

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