O incêndio na boate Kiss responsável pela morte de ao menos 233 pessoas em Santa Maria (a 286 km de Porto Alegre), na região central do Rio Grande do Sul, resultou na convocação de uma reunião extraordinária, a ser agendada nesta semana, do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul de Bauru. O objetivo da diretoria da entidade é solicitar ao Corpo de Bombeiros e à Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) para que façam uma espécie de ‘pente-fino’ nas casas noturnas da cidade. Grande parte delas está situada no Centro e Zona Sul do município.
Por meio da ‘força-tarefa’ itens de segurança e de combate a incêndio serão analisados com o intuito de evitar eventuais tragédias, como a registrada na madrugada de ontem em Santa Maria, informa o diretor do Conseg Centro Sul, Primo Mangialardo. Ele cita como exemplo de risco na cidade o Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Lima que, por anos seguidos, abre as portas sem alvará de funcionamento.
Segundo o titular da Secretaria Municipal de Cultura, Elson Reis, resta a instalação dos detectores de fumaça, algo a ser executado em breve, para que o projeto encaminhado ao Corpo de Bombeiros seja cumprido e a análise do órgão seja feita. A partir de então o alvará seria emitido. Ainda assim, Primo aponta outros problemas.
“Muitas poltronas estão encostadas na parede”, comenta. De acordo com o diretor do Conseg Centro Sul, a situação dificultaria o escape rápido de presentes em caso de incêndio, por exemplo. “As pessoas pisariam uma nas outras”, comenta.
Reprovável
As possibilidades de perigo apontadas por Primo Mangialardo vão além. Uma delas diz respeito a uma orientação comum em casas noturnas em situações de tumulto: fechar as portas para evitar a saída de pessoas com interesse em não pagar a comanda.
Boatos nas redes sociais dão conta de que a porta principal da boate que pegou fogo em Santa Maria teria sido fechada pelos seguranças quando as pessoas começaram a correr para escapar do incêndio. O objetivo era o de impedir que clientes saíssem sem pagar. Em entrevista a Globonews, o comandante-geral do Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido de Melo, confirmou que várias pessoas estavam mortas perto da porta do local, que estava fechada.
“Queremos que fiscalizem em Bauru. Vamos indicar uma pessoa do Conseg, de preferência que seja engenheiro civil ou de segurança para acompanhá-los. Também vamos pedir para a Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Agrônomos (Assenag) de Bauru que os acompanhe”, acrescenta Primo. Ele lamenta o fato das discussões e iniciativas partirem apenas depois de uma tragédia como a de ontem, considerada o segundo incêndio mais mortal e a quinta maior tragédia da história do Brasil.