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Ninguém assume uso de sinalizador

Folhapress
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Wilson Dias/ABr

Policial arruma as flores deixadas por moradores em frente à boate como homenagens às vítimas do incêndio

Santa Maria - Nenhuma das pessoas ouvidas até o momento  inclusive os presos temporariamente pelo delegado da Polícia Civil de Santa Maria, Marcelo Arigony, assumiu ter usado um sinalizador dentro da boate Kiss, onde um incêndio matou mais 231 pessoas na madrugada de ontem.

De acordo com Arigony, até o momento, a investigação aponta que o incêndio começou em decorrência do uso de um sinalizador e as portas da casa noturna não eram adequadas para saída em massa das pessoas. As apurações preliminares indicam que foram usados três sinalizadores durante a festa: dois no chão e um no alto, virado em direção ao teto.

“Ninguém assumiu ter soltado o sinalizador. (Nos depoimentos, uma pessoa) falou (quem acendeu o artefato), mas nós não vamos adiantar isso ainda. Se temos quatro pessoas segregadas, é porque temos algum fundamento para isso”, disse o delegado.

O delegado ressaltou que existem dois tipos de sinalizadores, sendo um deles, o de fogo frio, ideal para ser usado em ambientes fechados.


Relato de sobrevivente

Michelly Fant, 30 anos, fiscal de caixa, de Toledo (PR), estava visitando amigos em Santa Maria, com quem foi à festa na madrugada de domingo na boate Kiss. Fant voltaria para Toledo hoje, mas disse não saber mais quando poderá retornar à cidade, já que foi chamada para depor. Ela estava na área vip da casa noturna e sobreviveu ao incêndio.

“Depois da terceira ou quarta música da segunda banda que tudo começou. Uma das fotógrafas do evento que tava perto do palco gritou ‘fogo’, mas de início ninguém deu bola, achou que era brincadeira. O vocalista não jogou nada, ele tava pulando e o sinalizador encostou no teto. Logo veio a fumaça. Só fui ver o fogo quando já estava fora da boate”.

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