Internacional

Ex-general ucraniano é condenado à prisão perpétua

Folhapress
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Um tribunal ucraniano condenou um ex-oficial à prisão perpétua nesta terça-feira (29), pela morte do jornalista Georgy Gongadze, em 2000. A morte de Gongadze teve repercussão internacional e desencadeou protestos contra o então presidente, Leonid Kuchma.

O general Oleksei Pukach, que já dirigiu um departamento de vigilância do Ministério do Interior da Ucrânia disse que não tinha a intenção de matar Gongadze, mas estrangulou o jornalista acidentalmente com um cinto durante um interrogatório. Pukach é o oficial de mais alta patente a ser condenado pela morte.

Gongadze desapareceu em setembro de 2000 e seu corpo foi encontrado dois meses depois, em uma floresta a 120 km de Kiev. Gongadze tinha um diário na internet e fazia críticas ao governo.

Pukach disse que tentava forçar Gongadze a confessar espionagem, e que o jornalista teria se recusado. O general também afirma que Gongadze admitiu que havia aceitado US$ 400 mil de diplomatas ocidentais para transmitir informações.

Segundo a agência de notícias Interfax, o promotor Volodymyr Shilov disse que Pukach testemunhou que estava executando ordens, mas não especificou qual seria a ordem nem quem foi o responsável por sua emissão.

Segundo o "The New York Times", pouco antes de ser levado pelos guardas, Pukach disse: "eu disse tudo durante a investigação e julgamento. Pergunte a Lytvyn e Kuchma sobre suas motivações e intenções."

O julgamento foi fechado para a imprensa, que pôde acompanhar apenas o veredito e a sentença.

A advogada Valentyna Telychenko, que representa a viúva de Gongadze, reclamou que a investigação e o julgamento foram falhos e inconsistentes, pois não consideraram evidências de que Pukach teria a intenção de matar o jornalista.

"Ele falou claramente sobre o recebimento de uma ordem para matar e queimar Gongadze, e estava preparado para isso", disse Telychenko. "Ele trouxe uma pá e uma lata de gasolina, ou seja, suas ações foram direcionadas para o assassinato."

As suspeitas de envolvimento de oficiais aumentaram com a divulgação de gravações feitas por um dos guarda-costas de Kuchma. No registro, um homem que parece ser o ex-presidente fala sobre Gongadze, dizendo a um funcionário para que jogue o jornalista "fora" e o "entregue para os chechenos".

Três ex-policiais que estiveram em julgamento pela morte de Gongadze disseram que ele foi levado para fora de Kiev, espancado e estrangulado. O jornalista teria sido encharcado com gasolina e queimado. Pukach disse ainda que foi designado para manter vigilância pelo então ministro do Interior da Ucrânia, Yuri Kravchenko.

Ele encontrado morto em 2005 horas antes de ser interrogado sobre o assunto. Funcionários dizem que ele se suicidou, mas agências de notícias da Ucrânia disseram na época que ele tinha dois ferimentos a bala.

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